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Errar e sentir-se “burro”, na verdade, ajuda a aprender melhor, diz a ciência

No fundo, nossos pais e professores sempre estiveram certos: é errando que se aprende

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 Maio 2026, 15h00
Uma adolescente com um suéter amarelo brilhante levanta a mão com entusiasmo em uma sala de aula. Outra aluna é visível ao fundo.
 (Warner/Reprodução)
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O professor faz uma pergunta para a turma. Você até acha que sabe a resposta, mas trava antes de levantar a mão. E se estiver errado? E se rirem? E se acharem que você é “burro”? No fim, você fica quieto, e a aula segue normalmente. Por mais corriqueiras que situações como essa sejam, quem tem mais experiência, ou já seguiu o conselho dos pais ou professores, sabe que não perguntar é um problema. Nas últimas décadas, pesquisadores do mundo todo vêm acumulando evidências de que o medo de errar é um dos maiores obstáculos ao aprendizado verdadeiro.

Ao que os dados indicam, os docentes sempre estiveram certos: errar, perguntar e se sentir incapaz são parte do processo e, na verdade, sinais de que o aprendizado está funcionando.

Em 2008, Martin A. Schwartz, professor de Microbiologia da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, publicou um ensaio no Journal of Cell Science que, mais tarde, se tornaria um dos clássicos entre a comunidade científica. “The Importance of Stupidity in Scientific Research” — “A importância de ser burro na pesquisa científica”, em tradução para o português.

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No texto, Schwartz conta que reencontrou uma amiga que havia abandonado um doutorado na área de Ciências para cursar Direito em Harvard. Mais tarde, ela se formaria e seguiria carreira como advogada em uma grande organização ambiental. Tudo certo até aí. Mas ao perguntar por que ela desistiu da pesquisa, ouviu uma resposta que lhe pegou de surpresa. A amiga disse que saiu porque o doutorado a fazia se sentir burra, e que, depois de anos convivendo com essa sensação, quis fazer outra coisa.

O pesquisador relata que a resposta lhe incomodou. Não porque ele não aprovasse a escolha da amiga, mas porque reconheceu ali um sentimento familiar. A diferença é que ela tomou o caminho oposto ao que Schwartz havia se proposto. Enquanto a amiga preferiu fugir da sensação de “burrice”, insegurança, o professor preferiu abraçá-la e, indo além, buscar ativamente situações em que se sentisse assim.

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“A burrice produtiva significa ser ignorante por escolha”, escreveu, em uma vibe “Só sei que nada sei”, do Sócrates. “Focar em questões importantes nos coloca na posição desconfortável de não saber”. Para ele, uma das belezas da ciência está justamente nisso: errar repetidamente sem que isso seja motivo de vergonha, desde que cada erro ajude a avançar um pouquinho que seja.

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O exemplo de Schwartz é do mundo da pesquisa científica, mas pode muito bem se adequar ao universo dos estudos e do vestibular. Errar questões, travar diante de uma matéria nova, se sentir atrasado em relação aos colegas ou simplesmente incapaz são experiências desconfortáveis, claro. Mas não são necessariamente ruins. Em muitos casos, elas representam parte do processo que empurra o cérebro para o aprendizado verdadeiro.

Uma das pesquisadoras que ajuda a consolidar essa discussão é Carol Dweck, psicóloga da Universidade de Stanford e autora do livro “Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso“. Ao longo de duas décadas de estudos, ela identificou dois padrões de mentalidade que moldam a forma como as pessoas lidam com o aprendizado.

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De um lado, estão os indivíduos com mentalidade “fixa”: eles acreditam que inteligência e talento são traços imutáveis, como se cada pessoa nascesse com uma quantidade pré-determinada de capacidade. Nessa lógica, errar seria uma ameaça, um ponto a menos, uma prova de que você não é inteligente o suficiente.

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Do outro lado, estão as pessoas com mentalidade de “crescimento”. Para elas, habilidades podem ser desenvolvidas com esforço, estratégia e persistência. Nascemos como uma tela em branco, pronta para ser preenchida e o erro, assim como o acerto, seria apenas mais uma das informações a ser adquirida.

“Em uma mentalidade fixa, os alunos acreditam que suas habilidades básicas, sua inteligência, seus talentos são traços fixos”, explica Dweck. “Em uma mentalidade de crescimento, os alunos entendem que seus talentos e habilidades podem ser desenvolvidos por meio de esforço, bons professores e persistência.”

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Essa diferença de atitude tem relação direta com outro conceito bastante difundido na psicologia cognitiva. São as chamadas “dificuldades desejáveis”, formuladas pelo pesquisador Robert Bjork, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

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Segundo ele, quando estudamos utilizando métodos que parecem mais fáceis ou confortáveis, com baixo grau de dificuldade, como reler o caderno ou grifar as partes importantes de um texto, saímos com uma falsa sensação de aprendizado. A retenção do conteúdo, na verdade, costuma ser baixa, e é bem provável que o conteúdo seja esquecido em poucos dias.

Já estratégias mais trabalhosas, como tentar lembrar a matéria sem consultar o caderno, resolver questões antes de ler a teoria ou fazer revisões espaçadas, forçam o cérebro a operar em um nível mais profundo, forçando erros e buscas ativas na mente — justamente o tipo de “fricção” que fortalece o aprendizado.

Quando, portanto, se sentir sobrecarregado com a sensação de burrice, de estar errando demasiadamente, de estar inseguro com um novo conteúdo, lembre-se: é esse mesmo o caminho. “Quanto mais confortáveis ficamos com a sensação de sermos burros, mais fundo mergulharemos no desconhecido”, conclui Schwartz.

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Estudo
Errar e sentir-se “burro”, na verdade, ajuda a aprender melhor, diz a ciência
No fundo, nossos pais e professores sempre estiveram certos: é errando que se aprende

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