O que esperar de matemática na Fuvest 2027 após o simulado?
Nas redes sociais, estudantes se queixaram da complexidade da disciplina. Consultamos professores para entender como se preparar
A matemática pode ser o pesadelo de muita gente, especialmente em um contexto tenso como o vestibular. Após o primeiro simulado da Fuvest 2027, o vestibular tradicional de ingresso na Universidade de São Paulo (USP), ocorrido no último domingo (26), essa área do conhecimento foi bastante comentada por estudantes das redes sociais.
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Teve quem achou a prova complexa e outros que consideraram os enunciados mais diretos. O GUIA DO ESTUDANTE conversou com professores da área para entender o real nível de complexidade do simulado e se ele deve se manter na prova oficial, marcada para o dia 15 de novembro.
Esta foi a primeira vez que a Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) mostrou como será o novo modelo do vestibular, que contará com 80 questões nesta edição.
Uma prova em transformação
Para Thaís Guizellini, fundadora do Matemagicando e professora de matemática, a maior dificuldade que os inscritos podem ter enfrentado em exatas neste simulado está relacionada ao modo como as questões deram instruções. “As contextualizações foram muito bem pensadas e estruturadas, mas o comando das questões que exigiu muito. Nem tudo dava para fazer no tempo proposto”, avalia.
Na visão da profissional, alguns temas, como movimentos dentro dos eixos de um gráfico, são conteúdos que alunos do ensino público podem nunca ter visto na vida, e é capaz que aqueles vindos de escolas particulares tenham tido contato com outras nomenclaturas.
“Claro que a gente precisa pensar nas interações entre áreas de conhecimento e o aluno deve fazer a aplicação. Mas o problema é que nenhum livro didático coloca dessa forma, especialmente as cartilhas enviadas pelo governo.”
A maior preocupação de Thaís é a autoestima dos estudantes após ter contato com materiais complexos. A má fama da matemática, em conjunto com um simulado mais contextualizado, podem gerar “desmotivação e dar a ideia de que eles não estão estudando, sem ser condizente [com a realidade deles]”.
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Já Victor Pompêo, professor de matemática do Colégio Liceu Pasteur, entende que a Fuvest busca candidatos que saibam ler os fenômenos. “A prova está com menos conteúdo puro e mais voltada para raciocínio técnico e interpretativo”, declara. Ele destaca que a matemática aplicada teve participação de destaque no simulado recente, na forma de “logaritmos em acústica, geometria esférica conectando geografia e cálculo de rotas e uma cobrança sofisticada de análise gráfica”.
Para o docente, a linguagem usada não é simples e, embora tenha evitado textos longos, exigiu uma capacidade de síntese e leitura matemática mais refinada. “O desafio aqui não é o vocabulário em si, mas a densidade das informações: o aluno precisa converter o enunciado em modelo matemático de forma muito rápida, e essa transição ainda é um gargalo para boa parte dos estudantes que encerram o ciclo básico.” Na visão dele, a prova está em acordo com as propostas do Novo Ensino Médio, mas com um grau de exigência maior.
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Rodney Luzio, autor e professor do Curso Anglo, avalia o conjunto do simulado de maneira parecida: o aluno teve que fazer mais articulações entre a base de conhecimentos que já possui e os desafios propostos pela Fuvest. “Não havia nenhuma questão ‘de graça’, ou seja, de resolução imediata. Pelo contrário, em algumas questões, os cálculos exigiam conhecimento de propriedades específicas tanto de álgebra quanto de geometria”, diz.
O especialista vê uma possível pista de tendências futuras do vestibular, relacionada à análise minuciosa das alternativas para chegar à resposta certa. Dentre os assuntos assuntos aplicados, ele identificou que os clássicos em matemática estavam presentes, como funções, geometria plana, probabilidade, logaritmo, geometria analítica e problemas de aritmética.
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O GUIA DO ESTUDANTE também entrou em contato com a Fuvest para entender como a banca recebeu as críticas dos estudantes que fizeram o simulado. Gustavo Monaco, diretor-executivo da Fuvest, ponderou que “uma das habilidades avaliadas na prova como um todo é a de leitura e interpretação dos textos, inclusive para a área de exatas”.
“A questão aparenta conter um grau de dificuldade que, na verdade, está ligado a um problema de leitura e interpretação do texto. Por essa razão, a realização do simulado se justifica, para que os candidatos possam perceber essa eventual fragilidade nesse momento e estabelecer estratégias até o final do ano para suprir essa eventual deficiência que possam ter”, explica.
O que esperar da Fuvest 2027?
Os três professores concordam: a Fuvest terá avaliações mais completas, que cobrarão uma alta capacidade de leitura, interpretação e associação de conteúdos.
“Espera-se uma prova bem feita, e eu acho que vai manter o mesmo nível de contextualização na etapa oficial”, comenta Thaís. Na ótica da professora, a direção mostrada será de trazer os cálculos para situações do cotidiano do aluno, unindo-os a outras áreas do conhecimento nesse processo.
Rodney prevê que as competências exigidas no vestibular terão a missão de dar significado aos números em contextos reais. Outras habilidades que farão a diferença, segundo o autor, são: a interpretação de textos em linguagem matemática, a resolução de problemas padronizados e não padronizados, geometria e tratamento de informação, e a identificação de formas diversas (trechos escritos, tabelas, gráficos e figuras).
“O vestibulando não deve esperar uma prova mais simples devido ao novo formato, mas sim um exame que pune a memorização mecânica e premia o estudante capaz de articular conceitos abstratos com fenômenos do mundo real”, avalia Victor. Sob sua análise, a Fuvest seguirá a tendência de trabalhar a matemática aplicada, ao mesmo tempo que se reafirma como “conteudista”.
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Como se preparar?
Thaís Guizellini enfatiza a necessidade de cuidar da saúde mental durante os estudos para o vestibular. Em especial, entender que nem você, nem os demais candidatos, saberão ou dominarão todos os conteúdos que aparecerem nas questões. “Eu sempre faço a comparação de abrir uma caixa de bombons perto dos amigos. Cada um vai escolher o seu doce preferido primeiro. Então na hora que estiver folheando um item e perceber que já viu algo parecido alguma vez na vida, tente fazer.”
Ou seja, a prova é constituída por alternativas, mas a estratégia e as escolhas pessoais naquele momento também contam. É preciso entender que deixar algumas questões para depois faz parte, bem como equilibrar o tempo destinado ao seus pontos fortes e fracos durante a preparação.
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Rodney Luzio compreende que a qualidade de uma sessão de estudos deve ser priorizada em prol da quantidade. Montar um caderno de erros para acompanhar a progressão do aprendizado, fazer revisões de tempos em tempos, treinar exercícios de provas antigas e o controle de tempo também são ações para potencializar o conhecimento.
Por último, Victor Pompêo garante que dominar o estilo da banca faz toda a diferença nos resultados, “focando especialmente em temas como funções, geometria e análise de gráficos, que ganharam ainda mais relevância”, explica. Praticar problemas interdisciplinares e aprender a extrair dados matemáticos de outras disciplinas também podem elevar a quantidade de acertos na Fuvest.
Para treinar
Fez o simulado da Fuvest e quer refazer as questões? É vestibulando ou fã de matemática? O GUIA DO ESTUDANTE separou alguns itens de matemática cobrados na prova do último domingo para você praticar, com resolução da plataforma Anglo Resolve. Confira a seguir:
26
Alternativa correta: A
Resolução:
28
Alternativa correta: A
Resolução:
57
Alternativa correta: B
Resolução:
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