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Documento interno da Fuvest propõe (grandes) mudanças para a prova

Uma proposta em análise para a Fuvest do ano que vem quer cobrar livros de não-ficção, sugerir mudanças na redação e evitar que vagas fiquem desocupadas

Por Karin Hueck, Taís Ilhéu 10 Maio 2023, 17h51 | Atualizado em 10 Maio 2023, 18h24
Documento interno discute alterações na Fuvest 2025
Documento interno discute alterações para a Fuvest 2025. Confira principais mudanças (Reprodução/Guia do Estudante/Reprodução)
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Um documento recebido pelo GUIA DO ESTUDANTE e elaborado pela equipe da Fuvest para o grupo de trabalho da Pró-Reitoria de Graduação da USP indica que o vestibular da maior universidade do Brasil está considerando modernizar a sua prova, tornando-a ainda mais interdisciplinar.

O documento chamado “Propostas para Alterações do Vestibular de Ingresso na Universidade de São Paulo” discute alterações em quase todas as frentes da prova: elaboração das questões, número de perguntas na primeira fase, aumento e diminuição do número de convocados para a segunda fase de acordo com a nota de corte – além de novos formatos para a redação e da inclusão de outros livros obrigatórios para além de obras literárias

As primeiras mudanças no vestibular começariam a valer a partir do ano que vem, na Fuvest 2025, e vão ao encontro com uma entrevista concedida pelo diretor da fundação ao GUIA DO ESTUDANTE no ano passado. Na época, Gustavo Ferraz de Campos Monaco afirmou que a interdisciplinaridade “veio para ficar” na Fuvest e manifestou o interesse em incluir livros que refletissem mais a realidade brasileira.

A Fuvest confirma a autenticidade do documento, embora ressalte que se trata de uma minuta interna e “uma proposta de mudanças futuras, sem previsão alguma de quando serão implantadas e mesmo se serão”. De acordo com o cronograma presente na proposta, as mudanças dependeriam da aprovação da Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e do Conselho de Graduação (CoG) até o final deste ano.

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Foucault e Marilena Chauí nas lista de obrigatórios

Ainda que as mudanças não se concretizem já no ano que vem, as propostas indicam quais são os caminhos que a Fuvest vem discutindo para adotar modernizações em sua prova. As sugestões foram elaboradas por uma equipe de especialistas no ensino das disciplinas ministradas no Ensino Médio.

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Uma das principais mudanças sugeridas diz respeito aos livros obrigatórios cobrados para a realização da Fuvest. O documento admite que a lista vem recebendo “críticas por ser considerada pouco conectada com os dias atuais”, e cita um abaixo-assinado criado por estudantes do Ensino Médio da Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, que pediu a inclusão de mais obras escritas por mulheres. 

Mas a proposta de mudanças vai além da inclusão de autoras. O grupo de trabalho sugere a inserção de livros de não-ficção na lista de leituras obrigatórias. O documento propõe, por exemplo, que se cobre um rodízio entre

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Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, Por uma outra globalização, de Milton Santos, Retorno a Reims, de Didier Eribon, Vigiar e Punir, de Michel Foucault e O que é ideologia?, de Marilena Chauí.

E a redação?

O documento também sugere mudanças na temida redação da Fuvest, sugerindo que ela possa passar a cobrar outros

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gêneros textuais na prova, além da tradicional dissertação. A ideia está sendo debatida “mesmo que a decisão final seja no sentido de manter o padrão hoje adotado”, de acordo com o documento.

Essa seria outra medida para atualizar a prova. Aqui no GUIA DO ESTUDANTE já apontamos, por exemplo, que a dissertação de ingresso para a USP parece, aos olhos dos estudantes e especialistas, valorizar palavras difíceis e o uso de linguagem excludente.

O inglês de volta à segunda fase

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A principal mudança, porém, deve ficar no tipo de questões que serão cobradas, que ficariam mais interdisciplinares – como é feito no Enem, por exemplo. A ideia é que possam ser cobrados conceitos de mais de uma disciplina em cada pergunta, o que levaria a uma diminuição no número de questões na primeira fase – de 90 de múltipla escolha, como é atualmente, para 80, de acordo com o documento. 

Para a segunda fase, a mudança ficaria na estrutura da prova. Em vez de 25 provas diferentes, o segundo dia passaria a ter apenas seis questionários distintos. O primeiro dia ficaria dedicado às linguagens, das quais o inglês voltaria a fazer parte. 

Já a prova do segundo dia seria composta por 12 perguntas: 4 questões  interdisciplinares de todas as áreas, mais 8 questões específicas determinadas pela escolha dos curso dos estudantes. O conteúdo passaria a incluir também conteúdos de sociologia, filosofia, artes e educação física – essa última, dentro da categoria de “linguagens”. 

Fim das vagas não preenchidas?

O documento afirma que um dos problemas constatados pela Fuvest nos últimos anos é o não preenchimento das vagas para alguns cursos, em especial aqueles com menor procura. Para resolver o impasse, a banca sugere uma mudança na classificação para a segunda fase.

A ideia é que a relação candidato/vaga nesta etapa não seja fixa para todos os cursos, como ocorre hoje, e que oscile entre 3 e 5 candidatos. Cursos com menos concorrência chamariam mais candidatos por vaga para a segunda fase, para não eliminar já na primeira fase estudantes que realmente têm a intenção de se matricular. Já cursos historicamente muito concorridos, como Medicina e Psicologia, convocariam menos candidatos.

Por fim, para sanar o problema de vagas ociosas, a Fuvest propõe ainda a “reescolha” de cursos ao longo do processo de matrícula. Depois da terceira chamada, os candidatos que não foram convocados para os cursos para os quais se inscreveram no vestibular terão a opção de escolher uma outra carreira em que estejam sobrando vagas. A ideia é que esta possibilidade de “reescolha” aconteça em dois momentos: entre a terceira e quarta, e quarta e quinta chamada. 

A divulgação do documento não estava prevista para acontecer ainda. Quando perguntada sobre as mudanças, a Fuvest disse que “está constantemente fazendo estudos para apoiar a USP na tomada de decisão em relação às formas de ingressos e possíveis melhorias nos processos”. 

 

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