A disputa pelo título de primeira universidade do mundo
Marrocos e Itália reivindicam essa conquista. Entenda o histórico
Quando se fala em universidades antigas, muita gente logo pensa na Europa medieval. Mas a história da instituição de ensino superior mais antiga do mundo começa bem antes e no norte da África. Mais surpreendente ainda: ela foi fundada por uma mulher no século IX.
A Universidade al-Qarawiyyin, localizada em Fez, no Marrocos, foi criada em 859 e é reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e pelo Guinness World Records como a universidade mais antiga do mundo em funcionamento contínuo.
Mas nem todo mundo concorda com esse título e é aí que começa a disputa histórica.
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A mulher que fundou uma universidade no século 9
A responsável pela criação da instituição foi Fatima al-Fihri, uma mulher muçulmana nascida na Tunísia por volta do ano 800. Ainda jovem, ela se mudou com a família para Fez, importante centro cultural e comercial da época.
Filha de um comerciante rico, Fatima recebeu uma herança após a morte do pai e do marido. Em vez de investir em luxo ou propriedades, decidiu aplicar os recursos em educação. Foi assim que nasceu a mesquita de al-Qarawiyyin, que depois se transformaria em um grande centro de ensino e conhecimento.
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De mesquita a centro de estudos
No começo, o espaço era voltado principalmente aos estudos religiosos islâmicos. Mas, aos poucos, passou a reunir manuscritos raros e ampliar suas áreas de ensino.
Além da formação religiosa, a instituição começou a oferecer estudos em gramática, retórica, lógica, matemática, medicina e astronomia, áreas que também fariam parte das universidades europeias séculos depois.
Hoje, a universidade abriga uma das bibliotecas mais antigas ainda em funcionamento no mundo, com milhares de manuscritos históricos, alguns datados do século 9.
Então por que existe uma disputa?
Apesar do reconhecimento da Unesco e do Guinness, alguns estudiosos argumentam que a al-Qarawiyyin não deveria ser considerada uma universidade no sentido “ocidental” da palavra.
Isso acontece porque ela surgiu como uma madras, modelo de instituição islâmica tradicionalmente ligado ao ensino religioso. Para parte dos pesquisadores, as universidades propriamente ditas teriam surgido apenas na Europa medieval, como instituições independentes das escolas religiosas.
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A concorrente italiana
É nesse debate que aparece a Universidade de Bolonha, fundada em 1088, na Península Itálica (naquela época ainda não existia a Itália como país). Ela é frequentemente apontada como a universidade mais antiga do Ocidente e a primeira a funcionar dentro do modelo europeu clássico de ensino superior.
Foi em Bolonha que o ensino começou a se tornar mais independente das instituições religiosas, abrindo caminho para o surgimento de outras universidades famosas, como a Universidade de Paris.
Essas instituições se dedicavam ao estudo de áreas como leis, medicina, astronomia e lógica, bases do ensino universitário europeu durante a Idade Média.
Afinal, quem leva o título?
A resposta depende do critério usado. Se a definição considerar instituições de ensino superior em funcionamento contínuo, a Universidade al-Qarawiyyin aparece como pioneira, com origem em 859. Já quem adota uma definição mais ligada ao modelo universitário europeu costuma defender a Universidade de Bolonha como a mais antiga.
De qualquer forma, uma coisa é certa: séculos antes de muitos países sequer existirem, já havia pessoas dedicando recursos, tempo e conhecimento à educação. E uma mulher teve papel central nessa história.
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