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Como ir além da dissertação e dominar diferentes gêneros na redação

Com mudanças em vestibulares como a Fuvest, entender as diferenças entre os gêneros textuais pode ser decisivo para o seu desempenho

Por Beatriz Arruda 22 mar 2026, 15h00
Mão de uma jovem mulher sentada escrevendo de caneta em sua prova de redação do vestibular. Ela está em uma sala de aula de aplicação da prova
 (Antonio Scarpinetti/Unicamp/Reprodução)
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O texto dissertativo-argumentativo se consolidou como uma das partes fundamentais da preparação para vestibulares em todo o país. Presente na prova de redação do Enem, o gênero também é amplamente cobrado em vestibulares próprios. Por isso, a Fuvest, responsável pelo processo seletivo da USP, surpreendeu quando anunciou uma mudança significativa: desde o Vestibular 2026, passou a incluir outros gêneros textuais, além da dissertação.

A iniciativa não é inédita: outras instituições como a Unicamp e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) já adotam uma maior diversidade de gêneros na redação há anos.

Preparar-se para vestibulares que podem cobrar diversos gêneros textuais é um grande desafio e exige estudo estratégico. Pensando nisso, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com a Vanessa Bottasso, Coordenadora de Redação do Poliedro Curso Campinas, para entender as principais diferenças entre a dissertação argumentativa e outros gêneros textuais.

A seguir, a professora conta como o estudante pode se preparar para escrever bem qualquer proposta de redação.

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O domínio da dissertação — e o que mudou na Fuvest

Há bons motivos para explicar a predominância da dissertação argumentativa nas redações de vestibular. Segundo Vanessa, o gênero é capaz de reunir várias competências de leitura e escrita exigidas no ensino superior. Nele, é possível avaliar desde a capacidade de argumentar e organizar ideias até o uso de repertório sociocultural e a proposição de soluções para situações-problema.

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Além disso, há um fator prático que pesa a favor do texto dissertativo-argumentativo: a correção em larga escala. “A dissertação oferece às bancas um terreno mais estável e previsível de correção. Seus critérios são mais objetivamente delimitados, o que reduz a margem de subjetividade na correção humana”, explica.

Para a coordenadora, a recente mudança na prova da Fuvest acompanha uma transformação mais ampla na educação básica brasileira. A atualização está relacionada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que, na área de Língua Portuguesa, por exemplo, valoriza o domínio de múltiplos gêneros do discurso, presentes em diversas esferas da vida. “A Fuvest reconhece que a competência linguística não se esgota na argumentação formal, mas envolve também a capacidade de narrar, descrever, simular situações comunicativas e adaptar a linguagem a diferentes contextos”, destaca.

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Se a dissertação argumentativa cobra competências mais objetivas e bastante familiares aos vestibulandos, os outros gêneros textuais exigem um olhar mais abrangente sobre a escrita. Neles, a avaliação envolve a compreensão da situação proposta, os elementos de interlocução e o uso mais autoral da linguagem.

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“Em textos narrativos, por exemplo, ganha centralidade a construção de enredo, a coerência interna da história, a criação de personagens e a organização da temporalidade narrativa”, exemplifica Vanessa. Nesse grupo, podem aparecer formatos como o conto, a crônica e a fábula. Já nos gêneros descritivos, como relatos de viagem e diários, se destaca a sensibilidade na escolha de palavras, o uso de metáforas e analogias e a adequação ao contexto.

A especialista também chama a atenção para os riscos que podem acompanhar esses gêneros textuais. São comuns falhas de coerência, excesso de clichês, uso de termos genéricos, dificuldade de construção de sentido e inadequação ao tema.

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A escolha do gênero da redação deve ser estratégica

A inclusão de diferentes gêneros textuais nas provas de redação pode tornar os vestibulares mais inclusivos. Segundo Botasso, favorece principalmente os estudantes que não dominam completamente o gênero argumentativo. Por outro lado, exige uma maior preparação, sendo necessário desenvolver repertório em múltiplos formatos. “É preciso compreender as especificidades de diferentes gêneros e ter certa sensibilidade para propor uma estrutura que organize o próprio texto, o que exige maior consciência linguística”, ressalta.

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Dados recentes da Fuvest mostram que, no Vestibular 2026, 80% dos candidatos optaram pela dissertação, enquanto apenas 20% apostou na carta, a outra opção disponibilizada na prova. Para Vanessa, optar por um gênero menos comum pode ser vantajoso porque o estudante tende a se destacar em meio aos que escolheram um caminho tradicional. No entanto, a decisão precisa ser, antes de tudo, estratégica. É fundamental que o estudante tenha domínio do gênero selecionado. “Há vantagem estratégica apenas quando há consistência técnica. Caso contrário, o risco supera o potencial de destaque”, aponta.

Além do conhecimento sobre o gênero, também é importante considerar o tempo disponível para escrever e revisar o texto e, principalmente, avaliar se consegue estruturar um bom projeto de texto para o gênero escolhido.

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Estratégias diferentes para desafios diferentes

Sendo tão distintos entre si, não surpreende que a preparação para a dissertação argumentativa e para outros gêneros textuais seja diferente. Vanessa destaca três frentes essenciais para quem está focado no texto dissertativo-argumentativo: investir na construção de repertório sociocultural; treinar a estrutura clássica (introdução, desenvolvimento e conclusão); e aprimorar a articulação lógica entre ideias. Aqui, quanto mais texto o estudante escreve, melhor!

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Já para lidar com outros gêneros textuais, a orientação da especialista é consumir diferentes tipos de texto, como contos, crônicas e artigos de opinião. Também é importante observar como cada um deles constrói sentido a partir das escolhas de estrutura e linguagem, além de experimentar diferentes estilos de escrita e buscar feedbacks que não considerem apenas a correção gramatical, mas também a construção discursiva. O diferencial, aqui, está na capacidade de adaptação entre os gêneros.

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