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A Inteligência Artificial é o fim das profissões criativas?

O avanço das inteligências artificiais desafia profissionais criativos a se reinventarem no mercado de trabalho

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jan 2025, 19h00 | Atualizado em 22 jan 2025, 19h02
Robô usando tintas para pintar um quadro em um canva. Imagem gerada por Inteligência Artificial
 (Freepik/Reprodução)
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Seja por medo ou por empolgação, o impacto da Inteligência Artificial no futuro do mercado de trabalho criativo tem sido assunto constante. Artistas, designers, redatores, jornalistas e publicitários se encontram diante de uma pergunta inevitável: como competir com uma tecnologia que, à primeira vista, pode imitar a criatividade humana? A IA, afinal, veio para roubar espaço ou para abrir novos horizontes?

O GUIA DO ESTUDANTE conversou com Thiago Gringon, professor de criatividade e inovação na ESPM e especialista em design, neurociência e entretenimento. Em um mercado que oscila entre ameaças e oportunidades, o segredo pode estar em aprender a pensar como uma IA – mas nunca deixar de criar como um ser humano.

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Substitui ou não substitui?

“É uma pergunta assombrosamente criativa!”, brinca Gringon, reconhecendo que a preocupação com a IA substituindo esses profissionais é válida, mas que a resposta é mais complexa do que costumamos pensar. Segundo ele, as inteligências artificiais podem, sim, substituir algumas etapas operacionais do trabalho criativo – especialmente em situações em que o foco é velocidade e redução de custos.

“A IA talvez substitua, em alguns processos, a ação final da criação de uma peça de design, por exemplo, uma vez que a liderança também tem acesso a ela, trazendo essa visão de que não há necessidade de contratação de diretores de arte ou pessoas no ponto final do processo de criação”, exemplifica.

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No entanto, afirma que também vê oportunidades para novos profissionais justamente por isso. Uma vez que a IA entrega um resultado “pronto”, pulando etapas que, geralmente, são seguidas em uma produção criativa, a chave para esses profissionais estaria em desenvolver habilidades que vão além do operacional. O que nos leva diretamente ao ponto que vai diferenciar os conteúdos feitos por IA dos feitos por humanos: a criatividade.

+ Como aumentar sua criatividade, segundo a ciência

O diferencial imbatível

Para criar uma peça, seja um texto, uma foto ou um vídeo, uma ferramenta de IA acessa o seu “banco de referências” – previamente abastecido e treinado – e combina diferentes informações para satisfazer o comando proposto pelo usuário. Se pensarmos de maneira mais pragmática, o cérebro humano funciona de maneira parecida quando está criando algo “do zero”.

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Há inclusive uma expressão, comumente utilizada entre profissionais das Artes e da Comunicação, que diz: quem tem ref tem tudo. Sendo “ref”, referências.

Ou seja, da mesma forma que a IA combina referências externas para criar algo novo, nós humanos também seguimos esse processo. No entanto, há uma (enorme) diferença entre a máquina e a mente criativa. Enquanto a primeira cria um Frankenstein para responder a um comando dado por um usuário, a mente humana não se limita à combinação de informações, ela tem a capacidade de imaginar e refletir.

Citando Einstein, Gringon reforça: “A lógica nos leva do ponto A ao B, mas a imaginação a qualquer lugar!” Para ele, profissionais que conseguirem desenvolver uma criatividade mais apurada, além de dominar seu processo criativo, terão condições de criar propostas mais intencionais e autênticas. Uma dica de leitura sobre este tema seria o livro “Roube como um artista“, de Austin Kleon.

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Complementa, e não substitui

Dessa forma, o professor se posiciona firmemente no grupo que enxerga a IA como uma ferramenta complementar ao processo criativo. Não uma substituta.

Ele reconhece que há, claro, quem veja na tecnologia uma ameaça catastrófica – até pela velocidade com que avança . Mas o segredo estaria em usar a IA para potencializar ideias, e não como uma geradora principal.

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“Se brigarmos pelo espaço da execução final, talvez perderemos. Mas se focarmos nossos esforços no pensar e refletir sobre o criar, iremos chegar em lugares que a IA nunca conseguirá alcançar”, destaca.

Outro ponto levantado seria o papel da IA na democratização do acesso à criação. O professor aponta que as novas tecnologias possibilitam que pequenos empreendedores e profissionais sem acesso a ferramentas caras possam criar e competir no mercado. “Há a democratização do design gráfico, layouts e estruturas para a elaboração de projetos, por exemplo.”

No entanto, ele também reconhece que essas tecnologias podem ampliar desigualdades, devido à dificuldade de acesso à internet e à educação. “Se a formação de pessoas criativas é desigual no Brasil, com as IAs a complexidade e desigualdade aumentam consideravelmente.”

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+ Quais são os perigos da Inteligência Artificial? Dá para controlá-la?

Como se preparar?

Na visão de Gringon, o futuro do trabalho criativo dependerá da educação, tanto formal quanto informal. Ele destaca a importância de adquirir repertório e expandir a consciência criativa. “Falo para os meus alunos: gastem mais tempo no Pinterest do que no Instagram e no TikTok!” diz. “Quanto mais imagens, sons, cheiros, gostos e texturas tivermos impregnados em nossa mente, melhor será nosso processo criativo”, recomenda.

Nesse sentido, o professor lista seis habilidades – todas impossíveis de ser replicadas em máquina – que serão essenciais para a relevância do profissional criativo em meio à onda de IAs:

  • Iniciativa: “fazer e criar independentemente de briefing e público. Muitas ideias boas morrem ou ficam engavetadas por medo.”
  • Entusiasmo: “explorar matérias, ideias, jeitos, estilos e referências distantes das habituais.”
  • Determinação: “testar caminhos, dedicar-se e não desistir nos momentos difíceis.”
  • Autenticidade: “buscar quem se é e desenvolver um estilo próprio.”
  • Fluência: “desenvolver diferentes tipos de pensamento e dialogar com tecnologias.”
  • Intuição: “compreender o mundo e suas relações para além de como as coisas se apresentam.”

Para além das habilidades que nos diferenciam das IAs, é necessário, simultaneamente, aprender a lidar com elas. Isto é, aprender a usá-las como ferramentas úteis. “Eu imagino que no futuro, entender e saber orientar IAs se tornará algo como saber mexer no Pacote Office e/ou falar inglês”, prevê. Correr atrás de entender como criar prompts certeiros e aliar o trabalho manual com o gerado por IA será um diferencial para o profissional.

+ Cursos gratuitos para aprender a usar Inteligência Artificial

” O [método do] design thinking, em sua época de ouro, trouxe essa reflexão: todas as pessoas podem acessar o pensamento do designer e elaborar projetos mais estratégicos e complexos, porém é indispensável saber colocar a mão na massa (ou no Illustrator, no caso) se não corre o risco de se tornar uma pessoa unicamente ‘pensante e analítica’ e distante da criação em si”, conclui.

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