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“No seu pescoço”: resumo do livro de Chimamanda Ngozi Adichie

Cobrado no vestibular da Unicamp 2026, a obra explora, em doze contos, questões da imigração, identidade e desigualdade racial

Por Redação
10 mar 2025, 10h00
no seu pescoço chimamanda
 (Companhia das Letras/Canva/Reprodução)
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Imigração, identidade, desigualdade racial e os desafios impostos por uma sociedade cada vez mais globalizada. Esses são alguns dos temas centrais de “No Seu Pescoço“, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Publicado em 2009, o livro é uma coletânea de doze contos que mergulham em histórias de personagens africanos e imigrantes que buscam encontrar seu lugar em um mundo marcado por diferenças culturais e sociais. Se já valia a pena ler por esse enredo fascinante, quem se prepara para o vestibular tem uma razão a mais: a obra está presente na lista de leituras obrigatórias do vestibular da Unicamp 2026.

Adichie, autora aclamada internacionalmente por obras como “Americanah” e “Meio Sol Amarelo“, já é conhecida por sua escrita envolvente, que mistura elementos de sua própria vivência como mulher nigeriana e imigrante. Em “No Seu Pescoço”, a escritora se distancia da forma do romance e se reinventa como contista, explorando a complexidade das relações humanas por meio de narrativas curtas e impactantes.

Em suas obras mais longas a autora abordou a diáspora africana e as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes em busca de uma vida melhor, mas, dessa vez, aprofunda o olhar sobre o impacto da imigração e os dilemas da identidade, entrelaçando temas universais com questões da história de sua terra natal e dos novos mundos que seus personagens tentam habitar.

Confira o resumo que o GUIA DO ESTUDANTE preparou.

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A imigração e o choque cultural como elementos centrais

Os doze contos abordam, de forma sensível e direta, a experiência de pessoas que se veem deslocadas entre duas culturas e, muitas vezes, forçadas a redefinir sua própria identidade. O conto que dá título ao livro é um exemplo claro dessa temática: a jovem protagonista nigeriana, ao chegar nos Estados Unidos para estudar, logo é confrontada com a dura realidade do racismo e das diferenças culturais que a separam de seus novos companheiros.

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Ao tentar encontrar seu lugar em uma sociedade tão distinta da que deixou para trás, ela se depara com um conflito profundo de identidade, ao mesmo tempo em que observa as disparidades e as contradições da vida americana – o desperdício de comida, a pobreza disfarçada de consumismo e a distância entre os ideais do “sonho americano” e a realidade enfrentada por muitos imigrantes.

Em vários outros contos, como em “Réplica” e “Uma Experiência Privada”, a autora expõe o impacto da imigração sobre a vida das mulheres e como elas lidam com os desafios de se ajustar a um novo ambiente, ao mesmo tempo em que tentam manter suas raízes culturais e espirituais.

No caso de “Réplica” especificamente, uma mulher africana casada com um empresário bem-sucedido se vê presa em uma mansão nos Estados Unidos, vivendo a solidão de estar em uma cultura que não é a sua, e enfrentando a opressão de um casamento marcado por uma estrutura poligâmica que ela tenta, sem sucesso, conciliar com a vida moderna.

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A reflexão sobre a identidade e o colonialismo

A identidade é outro tema central do livro, especialmente a identidade marcada pela diáspora. Chimamanda oferece uma visão crítica sobre a construção social da identidade, especialmente no que diz respeito às relações de poder entre o colonizador e o colonizado. Essa reflexão é particularmente evidente em contos como “A Historiadora Obstinada”, que aborda o processo de aculturamento imposto pelos colonizadores, e “Fantasma”, no qual a protagonista se vê confrontada com as escolhas que fez em sua vida e com o peso de um passado marcado pela violência e pela desigualdade.

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A autora faz um paralelo entre o passado colonial da África e os desafios atuais que os africanos enfrentam ao tentarem reconstruir suas identidades em um mundo globalizado e marcado pela constante mobilidade de pessoas e ideias. Ao mesmo tempo, também questiona a construção da “história única” – conceito que ficou famoso após sua palestra homônima – e apresenta uma outra perspectiva, a do colonizado, sobre os eventos históricos e as estruturas de poder que definem quem somos e como somos vistos pelo mundo.

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Relações familiares e a questão de gênero

Outro aspecto importante que percorre “No Seu Pescoço” são as complexas dinâmicas familiares e as questões de gênero. Ao longo dos contos, Adichie explora como as relações familiares são afetadas pela migração e pelo choque cultural, mas também como as mulheres, muitas vezes em contextos de opressão, encontram formas de resistência e autoafirmação.

Em “Uma Experiência Privada”, por exemplo, duas mulheres – uma cristã e uma mulçumana – compartilham um momento de solidariedade durante um conflito étnico violento. A relação entre as duas, embora forjada em um ambiente de adversidade, representa a capacidade de diálogo e compreensão, além de expor a complexidade da convivência entre diferentes grupos religiosos e étnicos.

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Além disso, a obra faz uma reflexão sobre as dificuldades e as expectativas colocadas sobre as mulheres, especialmente aquelas que vivem em contextos patriarcais. Em “Casamenteiros”, a protagonista sofre com a imposição de um casamento arranjado, enquanto em “Amanhã é Tarde Demais”, a questão do abuso feminino é abordada de maneira tocante e delicada. Chimamanda revela, com sutileza, como as mulheres, mesmo em situações de subordinação, encontram maneiras de resistir e de reconstituir suas próprias histórias.

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Estilo e narrativa

O estilo de Chimamanda na obra se distingue pela clareza e pela objetividade. A autora não recorre a recursos estilísticos excessivos ou a uma prosa poética – como fazem, muito bem, outros autores africanos contemporâneos, a exemplo de Mia Couto ou Pauline Chiziane. Com isso, utiliza uma linguagem direta para descrever as realidades difíceis e os dilemas internos de seus personagens.

Cada conto é uma janela para uma realidade complexa e multifacetada, onde a autora introduz temas como a violência policial, a corrupção, o consumismo e a busca por justiça social, de forma que o leitor é imediatamente capturado pela trama e pelas questões que ela propõe.

Mas, embora a narrativa seja objetiva, ela não deixa de ser profundamente reflexiva. Cada história carrega uma carga emocional que força o leitor a confrontar suas próprias crenças e ideias sobre raça, identidade, imigração e desigualdade.

E vale destacar que a obra não é apenas uma leitura relevante para os vestibulandos, mas para qualquer leitor que busque entender as dinâmicas de poder, a busca pela autoafirmação e os desafios de se viver em uma sociedade cada vez mais plural. “No Seu Pescoço” enriquece e provoca, oferecendo não apenas uma reflexão sobre o presente, mas também sobre o futuro das relações humanas em um mundo globalizado.

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“No seu pescoço”: resumo do livro de Chimamanda Ngozi Adichie
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Cobrado no vestibular da Unicamp 2026, a obra explora, em doze contos, questões da imigração, identidade e desigualdade racial

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