Tente resolver a questão de Matemática do Enem 2025 que 91% dos candidatos erraram
Pergunta sobre porcentagem e razão e proporção teve a menor taxa de acertos da prova; especialistas explicam o que a tornou tão desafiadora
Quem já fez o Enem provavelmente se lembra de pelo menos uma questão que parecia impossível de resolver. Em 2025, foi uma pergunta de Matemática que desafiou até os candidatos mais bem preparados. Segundo análise dos microdados da prova realizada pelo Radar Enem, do Bernoulli Educação, para o G1, a questão registrou a menor taxa de acertos da área: 91% dos estudantes não conseguiram chegar à resposta correta.
Mas o que fez essa questão ser tão complexa? Para responder a essa pergunta, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com Raphael Mantovano, diretor da plataforma Amplia, e Victor Pompêo, professor de Matemática do Curso Anglo.
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A questão em si reúne conhecimentos de razão e proporção, porcentagem, aritmética básica e interpretação de texto. Segundo Victor Pompêo, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), método utilizado para calcular as notas do Enem, não define o grau de dificuldade de uma questão apenas com base no conteúdo cobrado, mas também leva em conta o desempenho dos estudantes para definir o nível de complexidade. Como itens desse tipo costumam apresentar índices de acerto historicamente baixos, a pergunta é classificada como difícil. “Para o candidato, isso significa que errá-la não penaliza severamente a nota final, mas acertá-la pode significar o diferencial que garante a aprovação em carreiras muito concorridas”, afirma o professor de Matemática do Curso Anglo.
A seguir, confira a questão que apenas 9% dos candidatos conseguiram acertar e descubra se você conseguiria resolvê-la.
Em um laboratório, um recipiente contém 10 litros de uma solução composta apenas pelas substâncias S1 e S2. Dessa solução, 99,95% é de S1. Uma quantidade de S1 será retirada dessa solução, mantendo a quantidade inicial de S2, de modo que 99,90% da nova solução seja de S1. Qual é a quantidade de S1, em litro, que será retirada?
A) 0,0050
B) 0,0100
C) 0,5000
D) 4,9775
E) 5,0000
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Por que essa questão é tão difícil?
Para Raphael Mantovano, o principal obstáculo da questão está em seu caráter contraintuitivo. A redução da concentração de S1, de 99,95% para 99,90%, parece tão pequena que muitos estudantes concluem, de maneira equivocada, que a quantidade de líquido retirada também deve ser mínima. Por isso, alternativas como 0,0050 (A) e 0,0100 (B) acabam funcionando como armadilhas. “O fato da resposta correta ser 5 litros (E), ou seja, retirar metade de todo o volume do recipiente, gera uma dissonância cognitiva que faz muitos candidatos duvidarem dos próprios cálculos ou sequer tentarem o caminho algébrico correto”, explica o diretor da plataforma Amplia.
Na avaliação de Victor, três fatores ajudam a entender o baixo desempenho dos estudantes nessa questão. O primeiro deles é a existência de um invariante “escondido”: enquanto a maioria dos candidatos tenta acompanhar a variação de S1, a resolução correta depende da análise de S2, que permanece constante. Outro ponto são os distratores, as alternativas incorretas elaboradas a partir de erros comuns dos candidatos, que foram bem construídos. A alternativa A (0,0050), por exemplo, corresponde ao volume exato de S2, enquanto a alternativa B (0,0100) chama a atenção de quem tenta resolver a questão por meio de uma subtração rápida ou de uma regra de três direta.
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“Por último, o cansaço pode pesar. O Enem é uma prova de resistência. Diante de números com quatro casas decimais (99,95%), o candidato em um momento de desgaste tende a evitar o desenvolvimento algébrico rigoroso e recorre ao “chute intuitivo”, observa o professor de matemática. Raphael acrescenta que a presença de muitas casas decimais também pode ter aumentado a dificuldade, pois muitos estudantes ainda encontram barreiras nesse tipo de operação.
Veja, abaixo, a resolução da questão elaborada pela plataforma Anglo Resolve.
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Dicas para resolver esse tipo de questão
Quer estar preparado para encarar questões desse tipo no Enem? Victor Pompêo recomenda que os estudantes pratiquem problemas envolvendo grandezas invariantes, como situações de desidratação de frutas, misturas químicas e evaporação. O professor afirma que identificar o elemento que permanece inalterado é uma estratégia fundamental para evitar erros na resolução. “O aluno precisa internalizar o mantra: “Em problemas de mistura, comece por quem não mudou de tamanho”, aconselha.
Victor indica ainda que os candidatos desenvolvam o senso numérico e desconfiem de soluções aparentemente óbvias em questões com porcentagens extremas, muito próximas de 100% ou de 0%. Além disso, ele ressalta a importância de analisar os distratores. “É útil entender por que as alternativas erradas estão ali. Quando o aluno entende como a banca constrói a pegadinha, ele passa a ler a questão com um olhar clínico e defensivo”, enfatiza o professor.
Para Raphael Mantovano, a realização frequente de simulados também faz diferença, sobretudo quando se reproduz condições semelhantes às do dia da prova, com atenção especial ao gerenciamento do tempo. “Um aluno que consegue administrar bem o tempo ao longo do exame consegue alguns minutos extras para, se necessário, conferir se as contas feitas estão fazendo sentido e endereçando a solução correta para questões mais desafiadoras, como esta”, conclui o diretor da Amplia.
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