Professora escreve modelo de redação nota mil no Enem sobre adultização
O que você abordaria no texto se esta fosse a proposta do Enem 2025? Veja os caminhos de uma especialista
Em 2025, a palavra “adultização” ganhou os holofotes. O tema entrou em destaque, mais especificamente, em agosto, quando o Youtuber e influenciador Felca publicou um vídeo denunciando a exposição e sexualização de crianças na internet. É claro que os vestibulandos de plantão logo ligaram o alerta: será que o assunto poderia virar tema de redação do Enem?
Na ocasião, o GUIA DO ESTUDANTE acionou professores de cursinho para entender a relevância do debate para a prova. “A adultização precoce é um fenômeno social relevante, pois envolve infância, direitos humanos e impactos do consumo midiático”, avaliou Fabiula Neubern, coordenadora de Redação do Poliedro Curso São José dos Campos. Sendo um tópico social relevante para o contexto brasileiro, bingo! Virou tema de redação, certo? Vamos com calma!
+ Além da adultização: 3 vezes em que as crianças já foram tema de redação do Enem
O Enem dificilmente cobra assuntos muito atuais, que ocorreram a poucos meses da prova. Por isso, a “adultização” dificilmente aparecerá com este exato enfoque. Ainda assim, vale conhecer a temática e possíveis caminhos de argumentação, já que eles podem ser aproveitados para outras propostas relacionadas à infância.
É por isso que o GUIA pediu que Maysa Barreto, assistente pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, escrevesse uma redação modelo do Enem com este recorte, que você confere abaixo.
Vale lembrar que este ano, pela primeira vez, o Inep alertou para as redações decoradas e os repertórios de bolso na Cartilha de Redação, indicando que estas fórmulas prontas podem tirar pontos dos candidatos. Por isso, nada de decorar a redação da professora Maysa para copiar! O exercício aqui é analisar a construção textual e se inspirar.
+ Leia um modelo de redação nota mil no Enem sobre Inteligência Artificial
Medidas para combater a adultização e a erotização de crianças e de adolescentes nas redes sociais
A adultização e a erotização de crianças e de adolescentes nas redes sociais é um desafio que ganhou destaque após a denúncia feita pelo influenciador Felca, em agosto de 2025, em seu canal na plataforma Youtube. Nesse contexto, o presidente Lula sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente — o ECA Digital — que promulga como crime a exploração sexual da imagem de infantes e o acesso desse público a tal tipo de conteúdo no meio virtual, visando prevenir, dessa forma, a adultização e a exposição erótica de menores de idade. Entretanto, como a Lei 15.211 é recente, ainda há diversos obstáculos para a resolução definitiva do problema em questão, como a ideologia machista enraizada na sociedade e a difusão de padrões estéticos ao público infantil. Logo, medidas devem ser realizadas para a melhora do problema.
Em primeiro plano, é imperativo destacar que o patriarcalismo perpetua a exposição adultizada e erotizada de menores de idade em plataformas digitais. Isso acontece porque tal ideologia pressupõe que os homens são superiores à mulher e aos infantes, os quais devem satisfazer os seus desejos pessoais. Para ilustrar tal afirmação, é possível analisar a trajetória artística da atriz Shirley Temple que, no filme “War Babies”, em 1932, interpretou, aos 3 anos, uma dançarina em um bar para soldados, tendo falas como “meu valor é alto”. Sob esse viés, tal estratégia cinematográfica ainda ocorre nos dias atuais, principalmente nas redes sociais, onde vários menores têm a sua imagem e o seu corpo expostos para gerar engajamento masculino e retorno monetário, como a adolescente Kamylinha, que usava roupas inapropriadas para a idade e era gravada em festas com outros adultos homens para que o seu chefe, Hytalo Santos, lucrasse em cima de sua imagem, por meio de engajamento e relevância em seu perfil nas redes. Como resultado, a ideologia machista contribui para a normalização da objetificação e hipersexualização precoce de menores de idade em plataformas digitais, a qual deve ser combatida para a preservação da infância.
Em segundo plano, cabe analisar, também, a propagação de padrões estéticos, que é iniciada desde a infância e a juventude, como agravante do problema. Acerca disso, é pertinente trazer o seriado estadunidense “Dance Moms”, exibido na televisão aberta e postado em plataformas digitais, em que meninas menores de idade eram maquiadas e vestidas como mais velhas, além de exigir que elas performassem coreografias sensuais para as competições de dança. Nesse sentido, é notório que as mídias perpetuam a adultização e a erotização de crianças e adolescentes como entretenimento, com o foco, agora, nas redes sociais, posto que os brasileiros passam, em média, mais de 9 horas por dia no celular, segundo o portal Electronics Hub. Com isso, há a divulgação, nesse processo, de padrões estéticos irreais, como a magreza extrema e a feminilidade excessiva, e a ideia de que eles devem ser seguidos, já que as meninas de sucesso são aquelas que se parecem e agem como adultas nas fotos e nas filmagens. Consequentemente, há uma maior propensão a transtornos alimentares e dismórficos nessa faixa etária, devido às redes sociais mostrarem corpos inalcançáveis para a maioria dos jovens, o que afeta o psicológico dos infantes e prejudica a construção de uma infância saudável.
Portanto, é nítido que intervenções devem ser feitas para amenizar o problema em questão. Para tanto, é imprescindível que a mídia, principal veículo de comunicação nacional, divulgue as consequências negativas da adultização e erotização de crianças nas redes sociais, por meio de documentários e campanhas em propagandas, além de restringir seus canais televisivos a produzirem filmes e reality shows com a exposição excessiva de infantes, com o fito de estimular as crianças a aproveitarem a sua fase de vida. Além disso, é essencial que as escolas, através de palestras com os responsáveis e os alunos, abordem a influência da ideologia machista no comportamento adultizado dos menores de idade, com o intuito de evitar a exposição dos infantes a adultos com más intenções. Assim, será possível garantir, de forma efetiva, os direitos que estão previstos no ECA Digital.
+ Veja 6 possíveis temas de redação do Enem 2025
Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país.
Qual o coletivo de elefante?
Tema de redação do Enem PPL 2025 é a idade mínima para o trabalho como proteção à infância





