O que estudar e como se preparar para a prova de Linguagens do Enem 2026
De Língua Portuguesa a Educação Física, professores destacam os temas mais recorrentes e dão dicas para resolver as questões de cada disciplina
No dia 8 de novembro, os candidatos do Enem 2026 terão pela frente uma verdadeira maratona de leitura e interpretação. Além da prova de Ciências Humanas e da Redação, será preciso responder a 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. A prova está longe de exigir a simples memorização de regras gramaticais ou trechos de livros. Na verdade, os estudantes precisam demonstrar a capacidade de compreender a linguagem como uma ferramenta viva de comunicação, expressão artística, integração social e posicionamento crítico.
Mas o que estudar para ter um bom desempenho na prova de Linguagens? O primeiro passo é conhecer os conteúdos e habilidades exigidas em cada disciplina. Além de Língua Portuguesa e Literatura, a prova também contempla Artes, Educação Física, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e uma Língua Estrangeira — Inglês ou Espanhol. A seguir, professores indicam os temas mais recorrentes e explicam como cada matéria costuma ser cobrada no exame. Confira!
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Língua Portuguesa
Língua Portuguesa é o pilar da prova de Linguagens e exige dos candidatos a capacidade de interpretar textos e compreender o uso da língua em diferentes contextos comunicativos. Essas habilidades, inclusive, podem fazer a diferença na resolução de questões de outras disciplinas.
Como avalia Thiago Silverio Barbosa, professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, o Enem testa a capacidade de análise crítica: “Mais do que decorar regras gramaticais isoladas, o aluno precisa entender como a língua funciona em situações reais. O exame cobra aplicação prática, focando na dimensão discursiva, nas variações linguísticas, nas funções da linguagem e nos recursos semânticos, como a polissemia e a ambiguidade.”
Entre os conteúdos mais recorrentes na prova de Língua Portuguesa, Barbosa destaca:
- Interpretação e compreensão de textos: identificação de ideias centrais, inferência de sentidos, coesão e coerência textual;
- Gêneros e tipos textuais: análise da intenção comunicativa de reportagens, crônicas, tirinhas, charges, propagandas e infográficos;
- Variações linguísticas: reconhecimento dos registros formais e informais, além das variedades regionais, sociais, situacionais e geracionais;
- Análise sintática e semântica: aplicação prática de concordância, regência, crase, pontuação e figuras de linguagem.
A estratégia recomendada pelo professor para resolver as questões de Língua Portuguesa é começar pela leitura do enunciado. O objetivo é identificar o comando da pergunta, geralmente um verbo que determina qual é a tarefa que deve ser realizada, como “identificar”, “comparar” e “justificar”. “Identificar o comando central do enunciado permite que o estudante faça uma leitura direcionada, economizando tempo e evitando o desgaste mental ao longo da prova”, explica.
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Literatura
Diferentemente de vestibulares como os da Unicamp e da Fuvest, o Enem não exige a leitura de obras obrigatórias. No exame, os textos literários são utilizados como base para questões que exploram a análise de recursos estéticos e reflexões socioculturais.
“A literatura no Enem aparece de maneira interdisciplinar, conectando autores consagrados e contemporâneos a temas como desigualdade social, identidade nacional, crítica política e memórias históricas. O candidato deve ser capaz de reconhecer estilos de época, recursos expressivos e a função social das obras”, observa Thiago.
Os principais tópicos e estilos cobrados em Literatura incluem:
- Modernismo: especialmente a Primeira e a Segunda Geração, com autores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Graciliano Ramos;
- Realismo e Naturalismo: obras de Machado de Assis e Aluísio Azevedo focadas na crítica à elite e às mazelas sociais;
- Literatura Contemporânea e Poesia: poemas modernos, letras de canções da MPB e obras que retratam a diversidade de vozes e a literatura-verdade;
- Romantismo e Indianismo: a construção da identidade nacional e o choque cultural entre diferentes povos.
Ainda assim, conhecer alguns clássicos pode ajudar na preparação. Livros como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, de Machado de Assis, já apareceram na prova. Por isso, o professor da Escola Internacional de Alphaville recomenda que os estudantes priorizem o estudo do contexto das obras. “Se não for possível ler os livros mais citados na prova integralmente, o indicado é compreender o contexto histórico de produção, os conflitos centrais, os perfis dos personagens e a crítica social envolvida.”
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Artes
Com cerca de 5 questões interdisciplinares, que costumam articular textos e imagens, a disciplina de Artes exige dos candidatos a capacidade de leitura visual e repertório cultural. O exame cobra a interpretação de obras plásticas, manifestações cênicas e produções audiovisuais, considerando seus contextos históricos e sociais.
De acordo com professor Cesar Garcia, da Escola Bilíngue Aubrick, a disciplina requer um olhar crítico e reflexivo. “A parte de Artes não avalia apenas se o aluno conhece o nome do artista ou da obra, mas se ele entende o papel social e as camadas de significação das obras de arte. As perguntas pedem que o estudante identifique elementos como linha, forma, cor e composição, mas também perceba como a obra dialoga, por exemplo, com questões de gênero, meio ambiente e cidadania.”
Entre os temas de Artes com maior incidência na prova, Garcia elenca:
- Movimentos artísticos marcantes: vanguardas Europeias, Renascimento, Barroco, Modernismo brasileiro e Arte Contemporânea;
- Cultura afro-brasileira e indígena: valorização do patrimônio cultural, artes plumárias, rituais e manifestações populares;
- Linguagens artísticas: artes visuais (pintura, escultura, gravura), artes cênicas (teatro, dança) e música;
- Arte e novas tecnologias: instalações multimídia, videoarte e recriações contemporâneas.
Como dica de ouro para gabaritar Artes, o professor da Aubrick indica construir uma linha do tempo relacionando os movimentos artísticos aos principais acontecimentos históricos de cada período. “Compreender que movimentos de Arte e Design são reações da sociedade a mudanças de paradigmas e eventos históricos é fundamental”, acrescenta.
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Educação Física
A presença de Educação Física na prova de Linguagens costuma pegar muitos candidatos de surpresa, já que a disciplina é cobrada de forma teórica e reflexiva. As questões, que costumam variar de 2 a 5 a cada ano, abordam a cultura corporal de movimento como forma de linguagem e inserção social.
Como explica Gilberto Júnior, professor do Brazilian International School, o foco está na análise crítica da sociedade: “O Enem não cobra regras de esportes ou nomes de músculos, mas sim o papel social do corpo. O estudante precisa refletir sobre assuntos como os padrões de beleza impostos pela mídia, a importância da atividade física para a saúde e o esporte como ferramenta de inclusão.”
Segundo o professor de educação física, os assuntos mais abordados na área de Educação Física costumam ser:
- Cultura corporal e manifestações: danças, lutas, jogos tradicionais, brincadeiras e modalidades esportivas;
- Saúde e qualidade de vida: impactos do sedentarismo, benefícios da prática corporal e relação com a saúde mental;
- Mídia e padrões estéticos: a construção social do corpo, estereótipos, pressão estética e a indústria do fitness;
- Inclusão e acessibilidade: trajetórias de atletas paralímpicos, adaptações esportivas e democratização do lazer.
Para se preparar e garantir pontos valiosos nas questões da disciplina, Gilberto Júnior aconselha os alunos a associarem o conteúdo a temas atuais e políticas públicas. “Acompanhar notícias sobre grandes eventos esportivos, debates sobre acessibilidade e saúde pública ajuda a construir a visão crítica que a prova exige.”
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Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) fazem parte do cotidiano dos estudantes e ganham cada vez mais espaço no Enem devido às transformações digitais da sociedade. O termo abrange recursos tecnológicos utilizados para criar, armazenar, enviar e usar dados, como internet, computadores, dispositivos, softwares, plataformas digitais e aplicativos, sistemas de telecomunicação e redes sociais.
Para Tiessa Vilela Sanchez, especialista em tecnologias educacionais do Brazilian International School, o letramento digital é a chave para acertar as questões, que variam de 2 a 4 a cada Enem. As perguntas avaliam como as ferramentas tecnológicas impactam as relações humanas, a circulação de informações e as práticas de linguagem. “O exame traz textos sobre o uso de redes sociais, algoritmos e inteligência artificial para testar se o jovem consegue analisar criticamente o ambiente virtual em que vive.”
Os tópicos mais recorrentes sobre TICs na prova incluem, segundo a professora:
- Mídias digitais e redes sociais: dinâmicas de engajamento, cultura dos memes e impacto dos influenciadores na saúde mental;
- Desinformação e checagem: mecanismos de propagação de fake news, manipulação de imagens e importância do letramento midiático;
- Tecnologia e sociedade: inteligência artificial, algoritmos, privacidade online, segurança de dados e exclusão digital;
- Novas linguagens virtuais: a evolução da escrita na internet, uso de emojis e o papel das plataformas na democratização da informação.
Para se preparar para as questões sobre o tema, Tiessa ressalta que o mais importante é compreender as aplicações e os impactos dessas tecnologias. “Mais do que decorar conceitos, o importante é saber analisar situações, interpretar informações e dados e refletir sobre como a tecnologia pode trazer benefícios, mas também desafios e responsabilidades para a sociedade.”
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Língua Estrangeira
A prova de Língua Estrangeira é composta por 5 questões, e o candidato escolhe, no momento da inscrição, se responderá às perguntas de Inglês ou Espanhol. Em ambas as opções, o foco está na compreensão leitora e na capacidade de inferir sentidos a partir de textos no idioma estrangeiro.
Segundo Bruna Carmo, professora de inglês do colégio Progresso Bilíngue de Campinas, a prova testa a leitura em contexto. “O Enem não exige um domínio gramatical exaustivo, mas sim a capacidade de ler um texto original e compreender sua ideia central e nuances socioculturais.”
A seguir, Bruna lista os conteúdos mais cobrados e os cuidados necessários em cada idioma:
- Inglês: leitura de textos curtos (notícias, campanhas, poemas e letras de música), identificação de conectivos (however, therefore, although), uso de phrasal verbs e expressões idiomáticas;
- Espanhol: compreensão do sentido global do texto, atenção redobrada aos falsos cognatos (embarazada, oficina, exquisito) e reconhecimento de marcas de heterogeneidade cultural dos países hispânicos;
- Temas transversais: para ambos os idiomas, os textos de apoio abordam diversidade, meio ambiente, direitos humanos, inclusão e tecnologia.
Bruna alerta os candidatos para uma armadilha comum na prova e orienta a não confiar demais nas semelhanças com a Língua Portuguesa, principalmente na prova de Espanhol. “No Espanhol, a semelhança com o Português pode levar a falsas inferências. Não confie apenas na intuição. E tanto para Inglês como para o Espanhol, leia o enunciado em português primeiro para saber exatamente qual informação procurar no texto em língua estrangeira, e assim ter mais chances de acertar a resposta.”
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