O que é o Enem PPL e como a prova pode reduzir a pena de quem está preso
A modalidade existe desde 2010 e atua na redução da reincidência criminal. Saiba como funciona a aplicação da prova
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) desempenha diferentes funções. Ele serve para ingresso em instituições de ensino público ou privadas, certifica a conclusão da última etapa da escola e até auxilia na redução da reincidência criminal. Essa última modalidade é chamada de Enem PPL e tem como objetivo atingir pessoas privadas de liberdade (PPL), sejam elas adultas ou jovens sob medida socioeducativa.
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O nível de dificuldade é igual ao cobrado nas provas regulares, mas conta com um tema de redação diferente. Na edição de 2025, por exemplo, os participantes escreveram um texto sobre “A idade mínima para o trabalho como forma de proteção à infância”. Também compartilha o caderno de questões da reaplicação do Exame — voltada a quem teve algum problema logístico ou doenças infectocontagiosas nas semanas do vestibular, com solicitação aprovada pelo Inep (Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Os candidatos do Enem PPL podem se inscrever “para valer” ou como treineiro, e recebem os resultados por meio do responsável pedagógico da penitenciária onde estão. A partir das notas, é possível se inscrever nos programas de acesso ao ensino superior do governo federal, como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
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Como é a aplicação?
A modalidade está em atividade no país desde 2010, por meio de uma parceria entre o Inep, Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A maior diferença do Enem PPL é o local de aplicação, já que é feito em unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos órgãos administrativos. Os responsáveis devem assinar Termos de Adesão, Responsabilidade e Compromisso, a partir de um sistema virtual.
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Além disso, as unidades precisam ter espaço físico coberto e silencioso, iluminação, cadeiras, mesas e outras condições que garantam uma aplicação adequada e segura para os envolvidos. Se necessário, transferências prisionais podem ser feitas para permitir a participação dos candidatos.
Para isso, os interessados devem, de forma voluntária, solicitar a inscrição ao coordenador pedagógico da penitência ou área socioeducativa. O período para envio de dados costuma acontecer cerca de dois meses antes da aplicação das provas regulares do Exame.
Remição de pena
É possível reduzir a pena por meio do Enem PPL caso o participante atinja pelo menos 500 pontos na redação e 450 pontos em cada uma das áreas do conhecimento avaliadas (linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza). Cada pontuação mínima obtida garante 20 dias de remição e o Certificado de Conclusão do ensino médio ou Declaração Parcial de Proficiência.
Sendo assim, a pessoa aprovada pode conseguir até 100 dias de diminuição no período a ser completado, mesmo que já tenha diploma de curso superior antes de entrar no sistema prisional — e o direito de se matricular no ensino superior.
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Além do vestibular, pessoas privadas de liberdade podem ganhar esses “perdões” por outras medidas socioeducativas. Uma delas é o programa Remição pela Leitura, permitido a detentos que cumpram regime fechado ou semiaberto. A lista conta com mais de 300 títulos e, para ter acesso ao benefício, a pessoa precisa ler a obra e entregar um relatório em formato de resenha ou defesa oral para avaliação, seguindo critérios de originalidade, compreensão do texto e argumentação.
A leitura pode abater quatro dias de pena — caso o texto seja aprovado. O limite de dias “perdoados” é de 48 dias a cada 12 meses, o que equivale a 12 obras. Além da diminuição da pena, a iniciativa busca promover a ressocialização e o acesso à cultura e educação por meio da literatura.
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