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Enem 2019: o que esperar das provas de Ciências Humanas e de Linguagens

Professores de cada uma das disciplinas dizem se os candidatos devem esperar mudanças na prova deste domingo (3)

Por Taís Ilhéu 30 out 2019, 17h12 | Atualizado em 4 jul 2026, 11h28
Prova de Linguagens e Ciências Humanas
 (PxHere/Reprodução)
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Desde que Enem é Enem, as especulações sobre o que vai cair na prova e qual será o tema da redação são coisas recorrentes, em especial nas semanas que antecedem a prova. Este ano, no entanto, o clima de incerteza parece ser maior. Desde que o governo anunciou a criação de uma comissão avaliadora do Banco Nacional de Itens, que guarda as questões do Enem, os candidatos que estudavam para a prova com base nas edições anteriores começaram a se sentir inseguros sobre uma possível mudança no perfil da prova. 

Em recente entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, afirmou que os candidatos não devem ficar apreensivos em relação à prova, e que o objetivo da comissão criada pelo instituto foi deixar a prova o mais “neutra” possível, eliminando temas que pudessem gerar polêmicas em qualquer campo ideológico. Em março, quando a comissão do Inep foi anunciada, o MEC declarou que o objetivo era verificar se as questões do banco eram “pertinentes com a realidade social”. 

Para além do pronunciamento do Inep, o GUIA buscou os professores de História, Geografia, Português, Filosofia e Sociologia do cursinho Oficina do Estudante, de Campinas (SP), para perguntar, afinal, o que o candidato deve esperar das provas de Ciências Humanas e sua Tecnologias e de Linguagens neste Enem 2019. Confira!

História

Nem de direita, nem de esquerda, como diria o presidente do Inep. O professor Marcos Vinícius de Morais aposta em uma prova sem ruídos e grandes debates para esta edição, mas não espera muitas mudanças além disso. A estrutura, com textos de documentos históricos e de historiadores servindo como base para as perguntas, deve ser mantida. O que se altera, portanto, é a presença de temas de cunho social, como movimentos sociais, marca das edições anteriores. 

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Embora destaque que seja difícil prever assuntos que serão certamente cobrados, Marcos aposta, com base nas efemérides deste ano, que a Inconfidência Mineira e a Proclamação da República de 1889 devem ser abordadas, assim como a figura de Tiradentes. Nos anos anteriores, a escravidão africana, o período da República Oligárquica (1894-1930), a Ditadura Civil-Militar (1964-1985), a Era Vargas (1930-1945), as Grandes Navegações dos séculos 15 e 16 e o período da Redemocratização do Brasil foram temas frequentes. 

Geografia

A aposta para este ano é a geografia física. Afinal, é uma área que foge mais facilmente de polêmicas. Questões relacionadas a demografia e geografia física brasileira sempre foram recorrentes e devem se manter na prova, mas outras mais interdisciplinares que relacionem História, Geografia e Sociologia podem ter ficado de fora.

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Algumas questões nesta intersecção que apareceram nos anos anteriores tratavam de conflitos agrários, migração e mesmo da globalização. Para o professor de Geografia Luis Felipe Valle as incógnitas deste ano são os temas da Guerra Fria, crise dos mísseis (em Cuba) e Guerra das Coreias. Para garantir, não custa revisar esses conteúdos!

Filosofia e Sociologia

Certamente, autores considerados polêmicos devem ficar de fora da prova este ano. A expectativa do professor de Filosofia e Sociologia Milton Maia, coordenador da Oficina do Estudante, vai ao encontro do que o presidente do Inep já havia anunciado. Segundo Alexandre Lopes, nada de Karl Marx nesta prova.

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O professor Maia destaca, no entanto, que não há motivo para ficar apreensivo em relação às questões dessa disciplina. Conhecendo conceitos básicos das duas matérias, lendo atentamente os enunciados e fazendo uma reflexão aliada a acontecimentos cotidianos, o candidato responderá às questões tranquilamente!

Linguagens

A questão que mais gerou debate no Enem 2018 estava justamente nessa disciplina. O dialeto pajubá, da comunidade LGBTQ, foi apresentado em um dos textos base de uma questão que discutia o conceito de dialeto e, na época, rendeu críticas do então candidato à presidência Jair Bolsonaro. Justamente por isso, o professor de português do Oficina do Estudante Marcelo Maluf acredita que os textos base das questões devem ser mais “neutros” este ano para evitar polêmicas. 

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Sua colega Maria Silvia Aguiar enfatiza que essa mudança dos textos também faz parte de um direcionamento do Enem em acompanhar discussões atuais e em constante transformação. Ambos os professores acreditam que a prova não se tornará mais “conteudista”, cobrando conteúdos decorados pelos candidatos, mas deve manter-se com um perfil interpretativo. 

A estrutura das questões, que envolve muitos textos associados a imagens, deve se repetir também. Em relação aos conteúdos, vale dar uma revisada em movimentos artísticos do século 20 e nas escolas literárias. De gramática, no máximo a relação entre morfologia e semântica. 

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Professores de cada uma das disciplinas dizem se os candidatos devem esperar mudanças na prova deste domingo (3)

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