Raspar ou rapar: qual é o certo?
Você fala de um jeito e seu amigo de outro? Saiba quem está acertando!
Tem palavras que parecem irmãs gêmeas: mudam um detalhezinho só! É exatamente o que acontece com “raspar” e “rapar”. Em muitos contextos, as duas convivem em perfeita harmonia. Em outros, cada uma segue o próprio caminho. Antes que essa dúvida resolva aparecer nas provas, vale descobrir o que diz a gramática.
Raspar e rapar: qual está certo?
As duas palavras fazem parte da norma padrão da Língua Portuguesa, segundo os dicionários! A confusão acontece porque os dois verbos compartilham alguns significados. Em diversas situações, ambos podem indicar a ideia de cortar rente à pele ou retirar parte da superfície de alguma coisa. Um exemplo é:
- Meu pai raspou toda a barba.
- Meu pai rapou toda a barba.
Quando usar rapar?
O verbo “rapar” vem da palavra gótica “hrapôn” e, ao longo da história, ganhou diferentes significados. Além de indicar o ato de cortar rente à pele ou limpar uma superfície por fricção, ele também pode significar: ralar, raspar ou cortar em lascas; sofrer intensamente alguma coisa, em linguagem informal; roçar o mato; roubar ou levar tudo de alguém, também em sentido coloquial.
Veja alguns exemplos:
- Meu irmão finalmente rapou o bigode.
- Na receita, você deve rapar três cenouras para esta torta.
- O fazendeiro rapou o mato da plantação.
- O ladrão rapou todo o dinheiro do aposentado.
E quando usar raspar?
Assim como “rapar”, o verbo “raspar” também tem origem em “hrapôn”. A diferença é que ele seguiu uma evolução um pouco diferente na língua portuguesa. Além de significar cortar rente à pele ou retirar parte da superfície de um objeto (como “rapar”), também pode indicar: transformar algo em raspas; ferir ou tocar de raspão; retirar a sujeira aderida a alguma coisa; sair de um lugar discretamente; levar ou roubar alguma coisa, em linguagem informal.
Alguns exemplos:
- Por favor, raspe as cascas da laranja para colocar no bolo de frutas.
- Meu tio raspou a barba e remoçou!
- A criança raspou o joelho no chão durante o recreio.
- Vamos raspar desta festa chata, por favor!
- Melhor raspar a madeira da mesa com uma lixa apropriada.
- Não se esqueça de raspar o fundo da frigideira.
Exemplos na literatura
Na literatura, o verbo “raspar” aparece no poema “Mancha”, de Carlos Drummond de Andrade. Em um dos versos, o poeta escreve:
“Lava que lava, raspa que raspa e raspa,
nunca há de sumir…”
A repetição do verbo reforça a ideia de uma tentativa insistente de apagar uma marca que permanece no tempo.
Já um exemplo na literatura com o verbo “rapar” foi usado por João Guimarães Rosa, no conto “As Margens da Alegria”. Veja o trecho abaixo:
“Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara.”
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