Qual é o coletivo de gafanhoto?
Descubra por que esses insetos renderam uma metáfora tão visual
Imagine uma cena de filme: o céu escurece de repente, o barulho lembra uma tempestade se aproximando e milhares de insetos cruzam o horizonte ao mesmo tempo. Não é à toa que a Língua Portuguesa escolheu uma palavra tão visual para nomear esse agrupamento: nuvem de gafanhoto. Este é o coletivo, um termo que transmite perfeitamente a ideia de movimento intenso, volume e impacto, criando uma imagem que atravessa a gramática, a literatura e até relatos históricos sobre grandes migrações desses insetos.
E essa associação está longe de ser apenas um exagero literário. Segundo Maíra Duarte dos Reis, professora de Língua Portuguesa e Literatura na Escola Supera Mundi, parceira da Plataforma Amplia, o termo surge justamente dessa construção visual e metafórica: “A ideia figurada da nuvem, junção de partículas de água, se assemelha ao grupo de insetos voadores.”
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De onde vem a palavra “gafanhoto”?
A origem de “gafanhoto” ainda rende debates entre estudiosos da língua. Existem duas linhas etimológicas principais para explicar o surgimento da palavra e, curiosamente, ambas têm relação direta com a principal característica do inseto: o salto.
Uma das hipóteses aponta para o latim “locusta”, termo usado para designar insetos saltadores semelhantes aos gafanhotos atuais. Essa raiz aparece em diferentes línguas românicas e está ligada justamente à capacidade que esses animais têm de percorrer grandes distâncias com seus pulos.
A outra teoria relaciona o termo ao árabe “kafaz”, que significa “saltar”. Segundo essa tradição etimológica, a palavra teria passado por uma forma intermediária no português antigo “gavanhoto” até chegar à versão usada hoje.
Cinco exemplos para usar no dia a dia
Se bateu a dúvida sobre como usar o coletivo numa frase, aqui vão alguns exemplos citados pela professora Maíra:
– O equilíbrio ambiental da reserva foi severamente afetado pelo surgimento repentino de uma imensa nuvem de gafanhotos.
– O fotógrafo de natureza precisou de lentes especiais para capturar a textura e o movimento individual dos insetos dentro daquela nuvem de gafanhotos.
– O mercado de commodities registrou alta nos preços após os relatórios confirmarem que uma nuvem de gafanhotos atingiu as principais zonas de exportação.
– Para explicar o conceito de densidade populacional, o professor usou como exemplo o comportamento de uma nuvem de gafanhotos em busca de alimento.
– O aeroporto local suspendeu as decolagens por algumas horas devido ao risco de uma nuvem de gafanhotos ser sugada pelas turbinas das aeronaves.
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Os gafanhotos também invadiram a literatura
Esses insetos aparecem em várias obras literárias brasileiras, mas uma das cenas mais marcantes está em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. No trecho abaixo, a ideia da “nuvem” ganha um tom quase apocalíptico:
“Aí vieram os gafanhotos. A princípio, uns bichinhos pretos, pulando, comendo as folhas de juazeiro. Depois, a nuvem. A terra ficou preta. E o barulho… um barulho de chuva, mas era de bicho comendo.”
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