Qual é o aumentativo de casa?
Casão? Casona? Casarão? Venha descobrir qual é o jeito correto de se referir
Tem casas que fazem a gente parar só para admirar. Algumas impressionam pelo tamanho, outras pela arquitetura e há aquelas que parecem guardar séculos de histórias. Mas, quando chega a hora de dizer que uma casa é grande, qual é o aumentativo correto: casão, casarão, casona ou até mansão?
Segundo os dicionários, “casarão” é a forma oficial e consagrada pela gramática para indicar uma casa muito grande. Normalmente, a palavra é usada para se referir a construções antigas, coloniais, sedes de fazendas e edifícios históricos.
Mas, além de casarão, também existem outras palavras que aparecem com frequência na fala e na escrita, embora tenham usos diferentes:
- Casão é um aumentativo de uso informal. Muito comum na linguagem coloquial, ele costuma descrever uma casa muito grande, moderna ou espaçosa, sem necessariamente ter valor histórico.
- Casona é uma palavra de origem espanhola. Apesar de aparecer em alguns textos e até em anúncios imobiliários, ela não é considerada um aumentativo oficial da língua portuguesa e, por isso, deve ser evitada em textos formais e em provas.
- Mansão não é exatamente um aumentativo gramatical de casa. Trata-se de um substantivo que já expressa, por si só, a ideia de uma residência muito grande, luxuosa e de alto padrão. Por isso, é considerada uma forma de aumentativo analítico, e não sintético.
Afinal, o que é o aumentativo?
O aumentativo é o grau do substantivo usado para indicar que algo é maior do que o tamanho considerado padrão. Além do sentido de grandeza, ele também pode transmitir admiração, exagero ou até um efeito expressivo, dependendo do contexto.
Na maioria das palavras, o aumentativo chamado de sintético é formado acrescentando sufixos como “-ão”, “-aço” ou “-ona” ao radical. Em geral, substantivos masculinos costumam formar o aumentativo com “-ão”, enquanto os femininos frequentemente recebem “-ona”.
No entanto, a Língua Portuguesa também possui aumentativos irregulares, isto é, palavras cuja forma não segue essa regra. É justamente o caso de casa, cujo aumentativo consagrado é “casarão”, e não “casona” ou outras formações semelhantes.
Também é possível expressar a ideia de grandeza sem recorrer ao aumentativo sintético. É o caso dos aumentativos analíticos formados com mais de uma palavra, normalmente usando um adjetivo ou um substantivo que já transmite a ideia de grandeza, como é o caso de “casa enorme” ou “casa muito grande”.
De onde vem a palavra “casa”?
O termo vem do latim “casa”, que originalmente significava cabana, choça ou habitação simples. Com o passar do tempo, o termo ampliou seu significado e passou a designar qualquer lugar destinado à moradia.
Hoje, a palavra vai muito além da construção física. “Casa” também pode representar acolhimento, família, pertencimento e o lugar onde nos sentimos seguros, um dos motivos pelos quais ela aparece com tanta frequência na literatura, na música e na poesia.
Dos dicionários para a poesia
A palavra “casarão” também marca presença na literatura brasileira. Um exemplo está no poema “A casa do tempo perdido”, de Carlos Drummond de Andrade:
“Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e outra mais e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.”
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