Obsecado ou obcecado: como se escreve?
Descubra qual é a grafia correta e nunca mais deixe essa dúvida virar uma obsessão
Tem gente obcecada por séries, por café, por gabaritar simulados… e também obsecada por descobrir a grafia certa das palavras. Afinal, nesse caso, qual é a versão correta?
A forma correta é “obcecado”, com “c’ na segunda sílaba: “ob-ce-ca-do”, de acordo com os dicionários de Língua Portuguesa, como o Michaelis. A grafia “obsecado”, com “s”, não existe na norma-padrão e deve ser evitada em qualquer texto formal.
Esse é um daqueles casos em que a escrita não acompanha exatamente a pronúncia. No português brasileiro, o “c” antes de “e” e “i” costuma ter um som parecido com o de “s”, o que faz muita gente escrever a palavra do jeito que a ouve. Porém, a ortografia segue a origem da palavra, e não apenas a forma como ela é pronunciada.
Por que “obcecado” é escrito com “c”?
A explicação está na origem da palavra. “Obcecado” é o particípio do verbo “obcecar“, que vem do latim obcaecare, verbo que significa “cegar”, “tornar cego” ou, em sentido figurado, “fazer perder o juízo”.
Com o passar do tempo, o significado passou a indicar alguém que está completamente dominado por uma ideia, desejo ou objetivo, a ponto de enxergar apenas aquilo.
É justamente essa origem latina que explica por que a palavra é escrita com “c”. Em português, muitas palavras preservam a grafia etimológica, especialmente aquelas herdadas do latim e do grego.
Cuidado para não confundir: obsessão e obcecado
Outra confusão bastante comum acontece porque muita gente associa “obcecado” à palavra “obsessão”. Embora tenham significados parecidos em alguns contextos, elas não pertencem à mesma família de palavras. São vocábulos diferentes, com origens distintas e grafias diferentes.
Cinco exemplos de uso
- O estudante ficou obcecado em resolver todas as questões de matemática.
- Ela estava obcecada pela ideia de conquistar uma vaga na universidade.
- Meu irmão ficou obcecado por aprender um novo idioma.
- A pesquisadora tornou-se obcecada por encontrar uma solução para o problema.
- O atleta permaneceu obcecado pelo sonho de conquistar a medalha.
Um exemplo vindo da literatura
A versão feminina de “obcecado”, ou seja ,”obcecada” aparece na literatura brasileira. No poema “Bolero de Ravel”, de Carlos Drummond de Andrade, a palavra ajuda a construir uma imagem intensa de alguém completamente envolvido por um sentimento:
“A alma cativa e obcecada
enrola-se indefinidamente numa espiral de desejo
e melancolia.
Indefinida, indefinidamente…
As mãos não tocam jamais o aéreo objeto,
esquiva coisa, ondulante, evanescente, frágil.
Os olhos, magnetizados, escutam
e no círculo ardente nossa vida para sempre está presa,
está presa…
Os tambores abafam a morte do Imperador.”
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