Leia um modelo de redação sobre “machosfera”, tema da Unicamp 2026
Confira texto elaborado por uma especialista em redação
A segunda fase da Unicamp 2026, aplicada no último domingo (30) trouxe dois caminhos possíveis para os vestibulandos abordarem em suas redações: “a ‘machosfera’ e o discurso de ódio contra as mulheres” ou “a importância histórica da CLT”. Os candidatos poderiam optar entre uma das temáticas e elaborar um texto conforme o gênero definido para cada uma.
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Caso o vestibulando escolhesse a primeira opção, deveria escrever um depoimento pessoal que narrasse um episódio violento testemunhado em uma comunidade virtual, com argumentos voltados ao combate aos discursos de ódio dirigidos às mulheres.
Ficou em dúvida se inseriu pontos importantes e seguiu a estrutura solicitada? O GUIA DO ESTUDANTE traz abaixo um modelo de redação, escrito por Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000.
Abaixo, você confere também a proposta completa da Unicamp.
“Machosfera”: o ambiente virtual que incita um ódio real
Enquanto jornalista sempre atenta às tendências virtuais, chamou-me atenção uma publicação na página inicial do meu Instagram que discorria sobre a popularização de comunidades on-line denominadas “machosferas” ou “manosferas”, cujo objetivo é unicamente o de disseminar ódio contra as mulheres. Após a leitura, decidi ingressar em um desses grupos e iniciar uma investigação, com o objetivo de reunir informações para tornar pública a violência e a misoginia presentes nesse ambiente. Para isso, contatei alguns amigos jornalistas até conseguir um convite para uma comunidade no Reddit, rede social conhecida por esse tipo de atividade, e criei um perfil falso para que fosse aceita.
Já no primeiro dia dentro do grupo, testemunhei um episódio perturbador: um homem, que orgulhosamente se denominava ‘red pill’, relatou que havia coletado, a partir de uma invasão ao banco de dados de funcionários da empresa em que trabalha, o endereço de uma colega de escritório e que enviava, ocasionalmente, ameaças de morte à mulher em perfis falsos. Segundo ele, a colega, que atuava na mesma função, recebeu uma promoção que, na verdade, era sua, uma vez que mulheres possuem capacidade inferior aos homens de serem competentes e eficientes no ambiente laboral. Os comentários da publicação, feitos por outros homens, corroboravam a atitude e parabenizavam o autor do texto.
Como mulher e feminista, constato que falas como essa têm raízes no machismo culturalmente imposto, o qual define a figura feminina a partir de adjetivos falaciosos como frágil, incapaz e incompetente. Em uma busca mais profunda, encontrei uma entrevista de Christian Dunker ao Estadão em que o psicanalista defende que a reatividade e a violência desses homens, além de refletirem uma visão misógina carregada de crenças limitantes, ocorrem em razão de sentimentos não processados. De fato, devido ao machismo estrutural, que atribui emoções apenas à figura feminina e classifica como “menos masculinos” indivíduos que choram e demonstram sentimentos, homens possuem uma dificuldade maior do que as mulheres de se acolherem e serem acolhidos quando sofrem emocionalmente, o que gera uma raiva não processada e desproporcional da figura feminina.
Apesar disso, a crença difundida socialmente de que mulheres são fortes e resilientes não pode continuar a desamparar juridicamente essa parcela populacional. Mesmo presentes na legislação brasileira, leis como a Maria da Penha, que passou a oferecer proteção jurídica também às vítimas de crimes cibernéticos, e a Lola Aronovich, que possibilita a investigação, por parte da Polícia Federal, de misoginia no ambiente on-line, precisam ser expandidas e aplicadas no cotidiano. É inadmissível que as mulheres, após séculos de opressão, continuem a “pagar a conta” pela falta de resolução emocional masculina, sobretudo quando a violência disseminada no ambiente virtual incita um ódio real e perigoso.
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Confira a proposta de redação da Unicamp 2026 sobre “machosfera”
Cronograma Unicamp 2026
Inscrições: 1 de agosto a 1 de setembroProvas de competências específicas (música): 15 a 30 de setembro (virtualmente)- 1ª Fase: 26 de outubro
- 2ª Fase: 30 de novembro e e 1º de dezembro
- Provas de competências específicas: entre 3 e 5 de dezembro, a depender da carreira
- Divulgação do resultado da 1ª Chamada: 23 de janeiro de 2026
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