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Por que os jovens se identificam tanto com as obras da Clarice Lispector?

Especialista explica porque a autora já virou figurinha carimbada entre as novas gerações e dá dicas para quem quer se aventurar por seus livros

Por Redação
17 jan 2026, 19h00 •
Clarice Lispector
 (Pinterest/Reprodução)
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  • Basta uma simples busca nas redes sociais – ou um algoritmo entrega tudo de bandeja – para encontrar uma série de conteúdos exaltando Clarice Lispector e declarações apaixonadas de leitores que se enxergam em suas obras. Seja um trecho de uma entrevista da autora com quase meio milhão de curtidas e dezenas de comentários, jovens lendo seus textos e alcançando dois milhões de visualizações, ou mesmo Olivia Rodrigo contando que está lendo um livro dela.

    Mas, afinal, por que a autora consegue gerar tanto engajamento e identificação entre os jovens? Para entender melhor esse fenômeno, vale ressaltar que nada disso é de hoje.

    “Na entrevista que a escritora deu para a TV Cultura em 1977 (ano em que a artista faleceu), ela contou sobre uma moça que, aos 17 anos, tinha o romance ‘A Paixão Segundo G.H.‘ como livro de cabeceira. Gente muito jovem estava na dela e, décadas depois, outras juventudes seguem completamente ao seu lado – no Brasil e fora dele”, explica Heloísa Iaconis, jornalista e professora, que estuda há mais de dez anos a obra de Clarice.

    As razões para o engajamento podem ser variadas, da indicação de um professor à curiosidade despertada pela própria figura da ficcionista, segundo Heloísa. Mas, ao seu ver, o motivo primordial está mesmo nos seus textos, “cujas formas e temáticas, indissociáveis, criam experiências reflexivas, críticas e estéticas fascinantes”. 

    A especialista explica ainda que a produção de Clarice trabalha com contradições humanas, estados de assombro, descoberta e graça, tirando o máximo de situações comuns e transformando-as. 

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    Os textos de Clarice e a juventude

    “A linha delicada em que as personagens da autora se equilibram e se desequilibram promovem uma abertura para o risco, o novo, o inesperado. E a juventude não representa, justamente, a fase em que, em tantos casos, mais nos abrimos para o imprevisível e a experimentação?”, levanta a pesquisadora.

    Assim, Clarice explora questões como o protagonismo feminino (apesar da sociedade moldada pelo patriarcado), a aprendizagem amorosa, a constituição do eu (tanto na dimensão íntima quanto as máscaras sociais com que nos apresentamos na esfera pública) e a atenção para aqueles que estão à margem do sistema. 

    Embora seja comum afirmações sobre as obras de Clarice terem uma leitura “difícil”, Heloísa discorda e explica que essas declarações acabam apenas afastando possíveis leitores. “Costumo dizer aos meus alunos: a sensibilidade de vocês é forjada em língua portuguesa; portanto, não há o porquê acharem que as narrativas de Clarice são incompreensíveis. Não são. O que não significa que a literatura da escritora não tenha complexidades, camadas. É rica, inovadora, não inacessível”. 

    A própria autora, em entrevista à TV Cultura, afirmou: “Suponho que me entender não seja uma questão de inteligência, mas sim de sentir, de entrar em contato”. 

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    E, para a especialista, o processo de identificação com as histórias de Clarice também passa pelo deslumbramento com a figura da autora. Seja pela forma como se expressa, seu posicionamento e opiniões em entrevistas ou sua postura como uma pessoa enigmática.

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    O hype da autora é positivo ou negativo?

    Quando algo ou alguém toma uma proporção maior na internet, viralizando e se tornando extremamente popular, sempre incorre no risco da romantização ou banalização de suas produções.

    Segundo Heloísa, esse perigo existe e é preciso ter cuidado para não aceitar ou contribuir com interpretações que tenham esse efeito. Porém, a presença de Clarice no ambiente digital também pode ter seus efeitos positivos, representando uma porta de entrada para a literatura. 

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    Seja para a leitura do texto integral ou para o conhecimento de outros autores, esses conteúdos podem ser um incentivo para aumentar o repertório.

    “Por conta de Clarice, passei a ler, ainda bem nova, Lygia Fagundes Telles, Marina Colasanti, Nélida Piñon, Fernando Sabino, Rubem Braga, Lúcio Cardoso e mais. Clarice é um farol”, conta Heloísa.

    Por onde começar?

    Se você ainda não se rendeu aos textos de Clarice Lispector, mas tem vontade de mergulhar nesse universo, a professora tem algumas indicações. 

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    Para quem se interessa por romances, a dica é o clássico “A Hora da Estrela”, o último livro publicado com a escritora viva. Já aos que preferem os contos, podem começar por “Laços de Família” ou “Felicidade Clandestina”..

    Para os vestibulandos e universitários, há mais uma sugestão: o texto “Carta ao Ministro da Educação”, publicado no Jornal do Brasil em fevereiro de 1968, durante a ditadura militar no Brasil, e presente nas coletâneas A Descoberta do Mundo e Todas as Crônicas. Nessa correspondência, Clarice defende os estudantes e o ingresso nas universidades. 

    “Deparei-me com essas páginas de protesto pela primeira vez quando vestibulanda e, desde então (agora como professora), elas me emocionam. Como Guimarães Rosa, leio Clarice para a vida e espero que os jovens, todos eles, também a leiam dessa maneira.”

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    Estudo
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