Pão de Toni? Conheça a misteriosa origem do panetone
Conheça a história — cheia de reviravoltas e crendices populares — de um símbolos do fim de ano
Tem quem goste do tradicional, com frutas cristalizadas, e outros que preferem a versão com chocolate. Segundo uma das possíveis histórias de sua origem, este tipo de pão doce foi inventado por um padeiro chamado Toni, em Milão, na Itália. Com o tempo, o “pão de Toni” (em português) teria sido contraído em uma palavra, usada até hoje. O famoso panetone. Mas será que isso é verdade ou não passa de lenda?
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Como surgiu o panetone?
A história exata do doce é desconhecida, visto que sua receita é considerada uma “tradição coletiva”, conforme explica à BBC Massimo Montanari, professor de história da Alimentação na Universidade de Bolonha, na Itália.
Mas estima-se que tudo tenha começado por volta do século 15 – pelo menos conforme explica este site do Ministério do Turismo italiano. Na época, o trigo era considerado um produto de grande valor aquisitivo, destinado principalmente à camada mais rica da população. Essa é uma das lendas sobre o nome do panetone: ele viria de “pane de ton”, ou seja, um “pão de luxo” no dialeto milanês. No Natal, no entanto, o trigo se popularizava, com as padarias produzindo diversos pães, e o panetone teria ganhado às mesas neste contexto.
Uma outra explicação conta que o ancestral do panetone era o pão de festa, que tinha como característica o acréscimo de açúcar, especiarias e passas, muito consumido em festividades. O surgimento do famoso pão natalino, portanto, também estaria ligado a esse hábito, compartilhado com a família: três unidades de pão à base de trigo eram colocadas sobre uma mesa para as pessoas dividirem. Um pedaço era retirado e guardado para o próximo ano, como símbolo de continuidade.
Esse ritual foi registrado por Giorgio Valagussa tutor da família de duques Sforza, no livreto “De originis et causis ceremoniarum quae celebrantur in Nataliciis” (“Sobre a origem e as causas das cerimônias que são celebradas na véspera de Natal“, em português). A cerimônia seria uma espécie de reencenação da última ceia cristã, feita pela aristocracia.
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A lenda do pão de Toni
De acordo com uma das lendas mais populares – mas sem embasamento histórico – o panetone teria surgido ao acaso no final do século 15. Em uma véspera de Natal, a corte do milanês Ludovico Sforza, “O Mouro”, alimentava-se de um banquete como ceia. A sobremesa da noite seriam biscoitos, que estariam sob supervisão do jovem Toni.
Em um momento de desatenção, o alimento teria assado acima do necessário e queimado. Com medo de sofrer punições, o padeiro misturou uma massa que seria usada no dia 25 de dezembro com especiarias, açúcar e frutas. O resultado agradou a família Sforza e Ludovico teria nomeado a criação em homenagem a Toni: o “pane di Tone” (ou “pão de Toni” em português). Assim, com o passar do tempo, a receita tornou-se famosa na Itália — e posteriormente no restante do mundo — com o nome “panetone”.
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Segundo registros da Encyclopedia Britannica, o termo — que também pode significar “pão grande” — teve registro no dicionário apenas em 1839. Isso demonstra que, embora as pessoas já consumissem o aperitivo, não havia uma formalização estabelecida.
A receita do doce, porém, permaneceu bem parecida à original até o final do século 19 e início do século 20. O padeiro Giovanni Felice Luraschi, de Milão, adicionou o fermento na massa, para ampliar o tamanho do panetone. Já em 1919, Angelo Motta, dono de uma padaria milanesa, acrescentou levedura à mistura, que seria então embrulhada em um papel manteiga. Assim, o pão doce ganhou forma mais arredondada e menos achatada.
As inovações de Motta passaram ainda por mais adaptações e, em 1925, Gioacchino Alemagna, também padeiro, ampliou a competição de vendas de um dos símbolos natalinos.
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