O que ninguém te conta sobre o primeiro semestre da faculdade
A fase universitária carrega muitas novidades – e passa tão rápido quanto um piscar de olhos!
Ao receber a aprovação no vestibular, saí da categoria de vestibulanda e passei a ocupar um novo título: o de caloura (ou “bixete”, para as mulheres) — como logo o vocabulário universitário me ensinou. O primeiro semestre da faculdade é um momento de adaptação, descobertas e expectativas que passa rápido e, sem perceber, tornei-me uma veterana e minhas primeiras experiências nessa etapa se tornaram memórias.
Antes de atravessar essa fase, eu via a vida universitária de forma mais idealizada: imaginava como seriam salas de aula, os professores e as vivências que teria. Entretanto, a prática é menos previsível que a teoria. Ser calouro — especialmente no primeiro semestre — envolve lidar com o inesperado, reaprender a estudar, adaptar rotinas, empolgar-se com as novidades e conviver com muitas mudanças em pouco tempo.
Agora, com a visão de uma veterana, reuni algumas experiências que gostaria de ter conhecido ao iniciar a graduação e que podem ajudar quem está começando.
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Acolha seus sentimentos
Na psicologia, o luto não se restringe às perdas físicas. O conceito também abrange certas “ausências invisíveis”, como o fim de amizades, relacionamentos e ciclos. A transição para a vida acadêmica coloca fim em rotinas até então conhecidas e confortáveis — seja o ensino médio, a adolescência ou o convívio diário com a família, por exemplo — e pode se encaixar como um “luto simbólico”. Esse processo tende a desencadear respostas emocionais, como tristeza, saudade, estresse, raiva e sensação de vazio.
Nesse caso, a recomendação é reconhecer e externalizar o que se sente, sem invalidar seus sentimentos. Buscar suporte profissional, como a psicoterapia, assim como conversar com amigos e familiares, pode aliviar as inseguranças e contribuir para a adaptação.
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Peça ajuda!
Seja para procurar um instituto no campus, checar as datas das provas ou buscar companhia, uma ajuda é sempre bem-vinda! No início, isso até pode gerar vergonha ou incômodo, especialmente em ambientes novos. No meu primeiro semestre, colocar as minhas dificuldades em palavras não foi uma atitude fácil ou imediata, mas logo percebi que essa sensação não era individual. Afinal, uma parcela significativa da sua turma pode estar passando pelas mesmas novidades e incertezas.
Pedir auxílio para colegas, professores, serviços de apoio da faculdade ou desconhecidos é uma das maneiras mais efetivas de resolver problemas, e até cultivar amizades.
Dê abertura à novas amizades
A graduação é um ótimo momento para criar laços com outras pessoas! Antes, é importante estar ciente de que seus colegas também estão passando por situações parecidas. Participar de eventos da faculdade, estudantis ou obrigatórios, e fazer convites para refeições em conjunto no restaurante universitário são algumas das iniciativas que você pode adotar.
Mas nem todos os laços se formam rápido. De acordo com um estudo da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, o ser humano leva mais de 200 horas para considerar outro como um amigo próximo. Já uma amizade casual demanda de 40 a 60 horas. E as conexões não se restringem ao cotidiano, também podem ser uma rede de apoio em momentos difíceis, parcerias em trabalhos acadêmicos e indicações para futuros estágios!
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Não ignore as oportunidades
O primeiro semestre é ideal para aproveitar as atividades extracurriculares da faculdades, já que muita gente ainda não começou a trabalhar ou fazer estágios. Existem possibilidades para quem prefere pesquisa, como a iniciação científica, os laboratórios e as ligas acadêmicas. Também têm as empresas juniores, que aproximam o contato com o mercado de trabalho, ou até as atividades voltadas para o lazer e esporte, como atléticas e baterias.
São experiências externas que contribuem para o currículo e também auxiliam no processo de descoberta de interesses para o futuro.
Organização é a chave
Para quem acabou de sair do ensino médio, a graduação pode trazer ainda mais diferenças: nenhum professor vai ficar no seu pé cobrando melhores resultados e desempenho. A responsabilidade de equilibrar estudos, vida social, pessoal e o trabalho (em alguns casos) cabe ao estudante e, como não há um acompanhamento constante, é preciso ter disciplina para não acumular leituras (que auxiliam a entender as aulas) e estudos para as matérias.
Se você escolhe não ir a festas e eventos, por exemplo, pode ver as notas melhorarem. Por outro lado, não definir um tempo livre pode trazer uma piora na saúde mental. Tudo é equilíbrio!
Além disso, os períodos são divididos em semestres, o que pode gerar estranheza para quem estava acostumado com os bimestres. E nem sempre as provas serão próximas dos dias em que os conteúdos foram ensinados. Portanto, acompanhar os planos semestrais elaborados pelos professores é uma prática que facilita a organização e evita o desgaste do final do semestre.
Nas primeiras aulas, é comum sentir que os colegas estão mais preparados ou que você não vai dar conta – a famosa síndrome do impostor. Estudar também passa a assumir uma função mais crítica do que na escola, o que exige uma capacidade maior de argumentação e reflexão para participar dos debates.
Pedir ajuda quando preciso, definir um cronograma de estudos, ter uma rede de apoio e acompanhamento psicológico são ações que trouxeram mais leveza para o meu primeiro contato com a faculdade.
* Isabella Lopes é estagiária do Guia do Estudante e cursa o 5º semestre de jornalismo na USP
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