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Como era a vida dos empregados em uma casa como a dos Bridgerton?

Na 4ª temporada, série aprofunda o contraste entre senhores e criados. Mas como era, de verdade, essa dinâmica na Inglaterra do início do século 19?

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 fev 2026, 10h00 • Atualizado em 26 fev 2026, 13h10
Cena da série Bridgerton, temporada 4, mostra cinco servos em torno de uma mesa de chá em quarto aconchegante com louças azuis, flores e pratos. No centro, homem negro com turbante branco e casaco marrom conversa com mulheres de toucas brancas, vestidos roxos e cabelos variados (loira, asiática, cacheada), gesticulando animadamente sobre chá e comida.
 (Netflix/Divulgação)
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  • Assim como os fictícios nobres da Inglaterra ficam alvoroçados quando chega uma nova edição do Lady Whistledown, nós, telespectadores contemporâneos, não desgrudamos os olhos da tela quando uma nova temporada de “Bridgerton” (2020-) é lançada na Netflix. A popular série histórica baseada nos livros de Julia Quinn é um deleite tanto para os amantes de dramas de época quanto aos que não se afugentam de um bom (por vezes, quente) romance. Na quarta temporada, é a vez do irmão Benedict encontrar a sua cara-metade e, por mais incrível que pareça, a sua busca vai nos revelar algumas dinâmicas bem interessantes sobre como era a relação entre senhores e empregados na Inglaterra do início do século 19.

    Como já sabemos, “Bridgerton” não é nenhuma aula de História. A narrativa se assemelha mais a uma fantasia quando se trata de precisão histórica — e, tudo bem, ninguém dá play no episódio esperando uma revisão para o Enem. Mas o legal de produções tão populares e narrativamente ricas quanto essa é que dá para tirar uma porção de outros assuntos, observações e, por que não, aulas de História a partir dela. Este é um desses casos.

    + Como era a vida social inglesa na época de ‘Bridgerton’?

    Upstairs, downstairs

    Nessa quarta temporada, é a primeira vez que a série mergulha numa dinâmica já bem familiar para os fãs de dramas de época, “upstairs, downstairs” (em português, algo como “no andar de cima, no andar de baixo”). O sub-gênero aborda as mecânicas que se desenvolviam nas casas da nobreza e aristocracia europeia a partir das relações entre as famílias e os funcionários que trabalhavam e, por vezes, moravam, na casa.

    Em histórias do tipo, é comum os empregados terem o mesmo grau de protagonismo que os nobres — quase sempre desenvolvendo relacionamentos proibidos ou paixões platônicas. Como exemplo, podemos citar outra série tão popular quanto “Bridgerton”, “Downton Abbey” (2010-2015) que, apesar de situada no início do século 20, retratra uma família aristocrata que ainda se agarra aos costumes tradicionais e, portanto, goza de todo um aparato de empregados funcionando abaixo de seus pés.

    Essa analogia com andares vem da própria logística da coisa. Enquanto as famílias viviam no térreo e andares superiores, um completo ecossistema de funcionários se encontrava nos subsolos das mansões e palácios. Com direito a uma engrenagem de fios e sinos para saber em qual cômodo algum deles estava sendo requisitado! É absurdo e distante da nossa realidade, mas era como ter uma cozinha industrial funcionando, discretamente, abaixo da sala de estar, por exemplo.

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    + Como eram, na realidade, os casamentos na época de Bridgerton

    Hierarquia militar

    Algumas casas, como a dos Bridgerton, chegavam a ter dezenas de funcionários. E, assim como a própria pirâmide social inglesa funcionava, uma hierarquia intensa ditava a posição e o “prestígio” de cada funcionário. Quanto maior o grau de instrução (como saber ler, costurar, a disposição correta dos talhares, falar outra língua etc.), maior a posição que ele podia alcançar no ecossistema.

    A principal distinção era entre os upper servants (os empregados dos andares superiores) e os lower servants (os dos andares inferiores). Essa estrutura importava porque determinava quem falava com quem, quem podia circular em certos espaços e até quem tinha permissão para lidar com determinados itens ou recados que chegavam. Mesmo quando o empregado circulava por quartos, corredores e salas nobres, seu papel era quase paradoxal: estar sempre disponível mas, ao mesmo tempo, ser invisível.

    E quem fazia essa supervisão e controle eram os cargos mais altos da residência, como do mordomo (butler) e da governanta (housekeeper), que respondiam diretamente ao senhor ou à senhora da casa. Era perfeitamente possível os dois nem terem contato com os lower servants, a não ser em raras visitas aos andares inferiores.

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    Mordomo: chefe dos homens; cuida da adega, da prataria, da sala de jantar e da ligação formal com o patrão;

    Governanta: chefe das mulheres; controla chaves, compras, enxoval, contratações e a rotina das criadas;

    Valete: criado pessoal do senhor; cuida de roupas, barbear, malas e detalhes do dia a dia do patrão;

    Camareira particular: equivalente feminina do valete; responsável por vestidos, penteados, costuras e toilette da senhora;

    Cozinheira-chefe: manda na cozinha; planeja cardápios, organiza horários e supervisiona toda a produção de comida;

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    Lacaios: servem à mesa, recebem visitas, levam bandejas, limpam prata e copos;

    Camareiras-chefe: coordena as camareiras de andar e garante a limpeza dos quartos e áreas nobres;

    Camareiras: fazem camas, limpam lareiras, varrem, tiram pó e mantêm escadas e corredores em ordem;

    Ajudante de cozinha: faz o trabalho mais pesado da cozinha, lava panelas, esfrega chão, carrega água e carvão;

    Rapaz de recados: o mais jovem e mais baixo na hierarquia; abre portas, leva bilhetes, faz pequenos serviços para todos.

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    Assim como em uma empresa, os funcionários podiam subir na hierarquia — deixar de ser um lacaio para ser um valete e, um dia, mordomo, quem sabe. E se engana quem pensa que ser empregado nessas casas era visto como algo inferior ou de menor valor. Em uma sociedade ainda extremamente estratificada, com a maior parte da população sem acesso algum à educação, a chance de ascensão social era quase nula.

    Se tornar empregado em uma casa nobre era, na verdade, uma opção “segura” de vida. Dava comida, proteção, em alguns casos, um teto para morar, e até mesmo um certo status social entre as classes mais baixas. Uma mesma casa poderia empregar gerações de uma família de empregados. Não era raro encontrar governantas, já mais velhas, que haviam chegado na casa ainda meninas, como camareiras ou ajudantes de cozinha.

    Tudo isso, claro, não exclui os aspectos abusivos que permeavam esse sistema. Os salários eram baixos, os expedientes intermináveis e, diferente das famílias de “Bridgerton” ou “Downton Abbey”, o relacionamento com os patrões, por vezes, ríspido e cruel. Homens eram minoria e quase sempre ganhavam mais que as mulheres. Estas eram sujeitas aos caprichos das senhoras e abusos (não raro, sexuais) dos senhores. Se casar, ter filhos, ou meramente uma vida pessoal, estava fora de cogitação.

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    Um dia típico de trabalho

    Cena da série Bridgerton com três servos em salão elegante de mansão regencial: homem jovem com peruca branca e casaco marrom bordado de prata, mulher morena com touca branca e vestido roxo-claro de mangas longas, mulher loira com vestido cinza-escuro de gola alta, em pé diante de portas abertas e paredes bege com colunas azuis.
    (Netflix/Divulgação)
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    Como detalha essa publicação do History Extra, em um dia típico, a casa acordava com os empregados muito antes de qualquer aristocrata abrir os olhos. Por volta das 6h, o ajudante de cozinha descia para acender os fogões, limpar o chão com areia, encher baldes de carvão e preparar o espeto e a bandeja de gordura para as carnes do dia. Ao mesmo tempo, camareiras já estavam em circulação, passando pela sala da governanta para receber instruções e iniciar a limpeza pesada das salas principais, das lareiras e dos corredores.

    Enquanto isso, o lacaio abria venezianas, alimentava fogueiras, escovava botas e fardas e deixava a sala de jantar impecável para o café da manhã da família que aconteceria logo menos. A ajudante de cozinha servia primeiro o café dos próprios empregados, que comiam rápido antes de voltar para o trabalho. Logo em seguida, vinha a rodada dos quartos: acordar a família, abrir janelas, arrumar as camas, esvaziar penicos e bolsas de água quente, trocar toalhas, refazer a roupa de cama e varrer corredores e escadas.

    No fim da manhã e início da tarde, a rotina entrava num ciclo de preparação e manutenção. A cozinha preparava a refeição dos empregados e o almoço da família, já planejando os pratos da noite que exigiam mais tempo. Durante as tardes, a limpeza da casa seguia um rodízio semanal, com camareiras e empregadas movendo móveis, escovando cortinas e esfregando pisos.

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    Os lacaios alternavam entre recepcionar visitas, servir refeições, levar recados e cuidar da prata e do vidro, enquanto pequenos intervalos para comer eram encaixados entre uma tarefa e outra.

    Com a chegada da noite, tudo convergia para o jantar formal, o ponto alto de todos os dias. O lacaio acionava o gongo para anunciar a refeição, sempre pontual, e servia e retirava os pratos em silêncio, mantendo sempre o fogo aceso e cada talher no seu devido lugar. Enquanto isso, a cozinha trabalhava intensamente para mandar pratos e recolher a louça sem demora.

    A camareira aproveitava esse período para preparar os quartos para a noite, separando cobertas, penicos e as brasas das lareiras. Só depois que os convidados (quase diários) iam embora e as portas eram trancadas, os fogões apagados e a prata lavada, é que os empregados podiam enfim sentar para o próprio jantar, no andar inferior. Com a família já dormindo, o dia dos funcionários finalmente chegava ao fim.

    Mesmo assim, sabiam que bastava um sino soar no meio da madrugada, para atender de prontidão qualquer desejo dos senhores.

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    Na 4ª temporada, série aprofunda o contraste entre senhores e criados. Mas como era, de verdade, essa dinâmica na Inglaterra do início do século 19?

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