A importância do descanso para os estudos, segundo a ciência
Que tal aproveitar o feriado para dar uma desacelerada?
Feriado de carnaval batendo à porta e você já deve estar se preparando para ficar os quatro dias inteiros fazendo simulados, escrevendo redaçõese decorando mil fórmulas de Física. Não precisa mentir, a gente sabe que, para os vestibulandos, parece que cada minuto conta (e que, todo tempo que você não está estudando, é um tempo perdido). Mas precisamos te contar que não é bem assim: o descanso é essencial para o aprendizado e a consolidação da memória. E quem está dizendo isso não somos nós não — é a ciência.
“Mesmo que você não esteja estudando enquanto dorme, seu cérebro ainda está estudando. É quase como se ele estivesse trabalhando por você. Você não consegue aproveitar ao máximo o tempo que dedica aos seus estudos a menos que durma”, avaliou o professor de psicologia da Royal Holloway University, Jakke Tamminen, em entrevista à BBC.
Separamos pesquisas que comprovam, por A + B, como seus estudos podem ser beneficiados por boas noites de sono e tempo para o descanso. Tudo isso para te lembrar que tirar fins de semana e feriados, como o do carnaval, para ver uma série, ler um livro de ficção, encontrar com os amigos ou simplesmente ficar de pernas pro ar não é motivo para preocupação ou culpa, mas sim um trunfo.
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O processamento das memórias depende do sono
Há mais de 30 anos, o professor de psiquiatria da Harvard University, Robert Stickgold, e o professor de neurociência e psicologia da University of California, Berkeley, Matthew Walker, têm desenvolvido pesquisas centrais para o entendimento de como o sono, em seus diferentes estágios, nos ajuda a processar e consolidar diferentes tipos de memória.
Em um estudo conjunto de 2004, intitulado “Sleep-Dependent Learning and Memory Consolidation” e publicado na revista Neuron, por exemplo, a dupla faz uma revisão robusta dos achados no campo até então, e conclui que o sono pós-estudo é fundamental para a consolidação da memória procedural, isto é, aquela relacionada ao aprendizado de ações, hábitos e habilidades inconscientes, como andar de bicicleta ou amarrar os cadarços.
O sono, segundo os autores, é capaz de restaurar traços de memória que foram deteriorados, além de desencadear aprendizado adicional, melhorando o desempenho sem a necessidade de se praticar novamente. Além disso, o estudo aponta evidências sólidas de que uma boa noite de sono favorece a retenção das memórias declarativas, aquelas relacionadas a fatos e eventos específicos, e que podemos acessar conscientemente, como a data da sua consulta com o dentista ou as capitais dos países da América Latina.
Em estudos posteriores, como o “Sleep, Memory and Plasticity”, de 2006, e o “Cognitive Consequences of Sleep and Sleep Loss”, de 2008, os autores sublinham, também, como a falta de sono pode impedir significativamente a formação e codificação das memórias declarativas e sugerem que dormir após o aprendizado de certas tarefas possibilita a reorganização neural necessária para que as memórias possam ser consolidadas no longo prazo.
Em adolescentes, dormir e aprender caminham juntos
Diversas pesquisas já analisaram como a falta de sono impacta especificamente os adolescentes. O estudo “To Study or to Sleep? The Academic Costs of Extra Studying at the Expense of Sleep”, publicado em 2013 na revista Child Development, por exemplo, examinou os hábitos de estudo e descanso de 535 alunos de Ensino Médio ao longo de três anos e concluiu que, se um aluno sacrifica horas de sono para estudar mais do que o comum, ele terá uma piora no desempenho acadêmico no dia seguinte e mais dificuldade de assimilar o material ensinado em sala de aula.
Um resultado semelhante aparece na pesquisa “Multi-Night Sleep Restriction Impairs Long-Term Retention of Factual Knowledge in Adolescents”, publicada em 2019 no Journal of Adolescent Health. Os autores estudaram como jovens de 15 a 18 anos, dormindo apenas cinco horas por noite durante uma semana, guardavam fatos detalhados sobre diferentes espécies de artrópodes, comparados com adolescentes dormindo nove horas por noite. Em todos os períodos de análise (após 30 minutos, após 3 dias e após 42 dias do aprendizado), a lembrança das informações foi significativamente inferior no grupo que dormiu menos.
Além de atrapalhar a captação e retenção de dados específicos, a falta de sono impacta negativamente o humor, a motivação e a habilidade de regulação emocional de adolescentes, conforme demonstram outros estudos. Isso significa que, quando você não respeita os tempos saudáveis de sono, tende a ficar mais irritadiço, ansioso, desatento e sem energia para estudar.
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A falta de sono atrapalha sua saúde física e psicológica
Um estudo de 2013 com mais de mil alunos universitários na China, publicado no Journal of Psychosomatic Research, demonstrou que a má qualidade do sono afeta, de maneira direta e indireta, o humor, a performance acadêmica e o bem-estar físico. Alunos com mais horas de sono durante a semana tendiam a apresentar notas mais altas e aqueles com discrepância entre horas dormidas nos dias de semana e fins de semana tendiam a níveis mais baixos de autoestima, por exemplo. Problemas no sono também atuaram como mediadores, piorando a saúde psicológica dos alunos e, indiretamente, prejudicando todo o resto.
Além disso, evidências recentes apontam que existe uma relação bidirecional entre distúrbios do sono e uma série de doenças, como depressão e ansiedade.
E aí, já te convencemos a tirar um tempo de descanso?
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