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Dúvidas de português

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“Tinha chego” ou “tinha chegado”: qual é a forma correta?

Chega de cometer esse deslize! É hora de aprender qual formação é considerada correta pela gramática normativa

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 mar 2026, 15h00 | Atualizado em 30 mar 2026, 10h57
Cena em aeroporto moderno com grandes janelas de vidro mostrando céu claro: mulher loira de cabelos longos cacheados, pele clara, sorrindo e braços abertos usando cardigã cinza aberto sobre camiseta branca e jeans skinny; homem de costas (cabelos grisalhos curtos, pele clara, moletom amarelo com capuz sobre camiseta bege, jeans), mão direita erguida em aceno e esquerda segurando passaporte ou documento azul.
 (Freepik/Reprodução)
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  • Essa é uma daquelas dúvidas que deixa a gente com a pulga atrás da orelha — porque ou você sabe ou não sabe, não tem muito um meio termo. É do tipo também que, se alguém na mesa souber, vai corrigir com um semblante de prazer estampado no rosto, pode ter certeza. Para não passar mais por esse deslize, vamos tirar da frente essa dúvida de português. Qual é o jeito certo: “tinha chego” ou “tinha chegado“?

    Esclarecendo sem rodeios: a única forma correta, segundo a gramática normativa, é “tinha chegado“.

    Pretérito mais-que-perfeito

    A questão aqui é a construção do chamado pretérito mais-que-perfeito composto, formado pelo verbo auxiliar “ter” (também pode ser o “haver”) no pretérito imperfeito do indicativo (“tinha”, “havia”) somado ao particípio passado do verbo principal (“chegado”). Falamos grego? Vamos por partes!

    O particípio é a forma nominal dos verbos que indica ações finalizadas, concluídas, e usa as terminações -ado ou -ido para indicar tal condição (no caso, “chegado”). É diferente do gerúndio (“chegando”) e do indicativo (“chegar”).

    “Chego”, por sua vez, é a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (“Eu chego na loja às 8h”, por exemplo). Portanto, não um particípio.

    Na construção do pretérito mais-que-perfeito composto — que, novamente, é feita a partir de um verbo auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo + um verbo no particípio passado —, é incorreto dizer “tinha chego” ou “havia chego”. A forma correta é somente “tinha chegado” ou “havia chegado”.

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    O VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), inclusive, registra “chegado” como o particípio exclusivo de “chegar”, sem menção a “chego” nessa função.

    Exemplos

    • “Fernando tinha chegado antes do início da prova”;
    • “Quando liguei, a mamãe já havia chegado em casa;”
    • “Nós tínhamos chegado cedo ao local do festival;”
    • “O ônibus havia chegado no terminal, mas ninguém notou;”
    • “Ela já tinha chegado muito antes das 8h.”
    • “Eu chego às 7h na escola todos os dias;”
    • “Se eu chego atrasado, perco a primeira aula;”
    • Chego, faço o que tenho que fazer e vou embora;”
    • “Eu chego antes de todo mundo para aproveitar os minutos de silêncio.”

    Por que a confusão?

    A confusão existe porque, em algumas variedades populares da língua, é comum ouvir construções como “ele tinha chego tarde”. Trata-se de um uso coloquial e não recomendado pela norma-padrão — isto é, ocorre na fala cotidiana, mas não é aceito em textos formais, redações ou apresentações.

    Alguns verbos em português são considerados verbos abundantes e apresentam duas formas de particípio: uma regular (terminada em -ado ou -ido) e uma irregular (-o). Veja “entregar”: temos “entregado” (“Tinham entregado o pacote ontem”) e “entregue” (“O pacote foi entregue ontem”).

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    No entanto, “chegar” não é um verbo abundante, seu único particípio passado é “chegado”.

    Para não errar mais

    Não tem fórmula mágica para não cometer mais esse deslize. O jeito é lembrar que, se aparecer “tinha” ou “havia”, é para usar o particípio passado, que termina em -ado ou -ido: “tinha chegado”, “havia chegado”. É por esse mesmo motivo que a polêmica formação “tinha imprimido” está correta!

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