
Engana-se quem acha que nomes próprios não têm plural “Parece estranho, mas é isso mesmo! O plural de João é Joões“, revela Margarete Xavier, autora de Língua Portuguesa do Fibonacci Sistema de Ensino.
Mas por que se escreve assim? Segundo a professora, a resposta está na terminação “-ão”, que pode formar o plural de três maneiras diferentes: “-ões”, “-ãos” ou “-ães”. “Os únicos vocábulos que fazem plural regularmente em -ãos são paroxítonos terminados em -ão, como sótão/sótãos, bênção/bênçãos, órfão/órfãos”, esclarece a educadora.
Como João é oxítono, ele segue a regra do plural em “-ões”, assim como avião/aviões e limão/limões.
De onde vem o nome João?
O nome João tem uma longa história e carrega um significado especial. De acordo com Margarete, o nome vem do hebraico “Yohanan”, que significa “agraciado por Deus” ou “Deus é gracioso”.
Por ser um nome tão antigo e difundido pelo mundo, ele tem variações em vários idiomas:
- em francês é Jean;
- em espanhol é Juan;
- em inglês é John.
Além disso, João também dá nome a algumas espécies de pássaros, como o joão-de-barro, o joão-pinto e o joão-velho (também conhecido como pica-pau-de-cabeça-amarela). Até na agricultura o nome aparece: existe uma variedade de uva chamada joão-santarém.
Frases com “João” e “Joões”
Como empregar as duas formas no dia a dia? Veja alguns exemplos:
- Nunca se sabe quantos Joões estão registrados neste cartório.
- Tenho dois colegas de classe de nome João: são os Joões do time de vôlei.
- Na lista de convocados para a seleção de basquete, há cinco Joões.
Joões presentes nas artes
O nome João também aparece em grandes obras da cultura brasileira. A professora Margarete lembra a música “João”, do cantor e compositor Cazuza, em que cita várias referências ao nome. Confira este trecho:
“João meu pai, herói padrasto
João boa-pinta e valentão
John of Julia, que não te quis
João é João em toda parte
João e Maria, João de Deus
João da Bênção
Pra não sei o quê”.
Já na literatura, o poema “Ode ao Burguês”, de Mário de Andrade, usa a forma plural “Joões” para criticar a aristocracia da época:
“Eu insulto as aristocracias cautelosas[2]
Os barões lampiões! os condes Joões!
os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora
falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!”
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