Qual a pronúncia correta de “recorde”, erro que pode render multa à Globo
"REcorde" ou "reCORde"? Qual é a pronúncia correta? O caso chegou na Justiça, e o GUIA DO ESTUDANTE te explica certinho para não errar
Qual seria a pronúncia correta da palavra “recorde”? Para os mais entusiastas da Língua Portuguesa, o caso já era figurinha carimbada nas conversas de bar. A dúvida, porém, agora chegou na Justiça. As diferentes pronúncias na imprensa brasileira há anos coloca em xeque qual seria a maneira correta de pronunciar a palavra, sendo a principal percursora da confusão a TV Globo, que há décadas pronuncia a palavra como “REcorde”, com a tônica na primeira sílaba.
O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais ajuizou uma ação civil pública alegando que a Globo vem pronunciando a palavra “recorde” de maneira incorreta em telejornais e programas esportivos há anos e por isso deveria pagar uma multa de até R$10 milhões. Segundo o procurador responsável, repórteres e apresentadores estariam reforçando um “efeito manada” na população, fazendo com que parte da sociedade brasileira reproduza o mesmo padrão.
Na petição, o argumento afirma que “recorde” seria uma palavra paroxítona, com a sílaba tônica em “cor” (reCORde). Por isso, não deveria ser pronunciada como proparoxítona, isto é, com ênfase na primeira sílaba (REcorde).
+ 5 palavras da Língua Portuguesa que você provavelmente pronuncia errado
O MPF sustenta que, ao veicular reiteradamente essa “pronúncia errada”, a emissora estaria ferindo o direito da sociedade a uma programação com finalidade educativa e informativa, ferindo o “patrimônio cultural imaterial da Língua Portuguesa”.
Além da indenização de R$10 milhões, a ação pede que a Globo faça uma retificação em rede nacional sobre a pronúncia de “recorde” em seus telejornais e atrações esportivas.
Para o MPF, sendo a Globo uma concessão pública de alcance nacional, ela deveria se aproximar ao máximo da norma culta da Língua Portuguesa, justamente por influenciar milhões de falantes diariamente. Já linguistas e especialistas relativizam a ideia de “erro” absoluto, lembrando que dicionários registram variantes e que a pronúncia praticada pela emissora também se apoia em usos consolidados.
+ Palavras que muita gente coloca acento, mas não têm
Afinal, é “REcorde” ou “reCORde”?
Se a discussão bateu à porta da Justiça, é porque a resposta não é tão simples quanto parece. Em dicionários tradicionais e na análise de linguistas, aparecem dois elementos importantes nessa questão: a origem da palavra e o uso atual.
“Recorde” chegou ao português por influência do inglês “record”, muito comum em contextos esportivos e de desempenho, e acabou sendo incorporada ao nosso vocabulário com pronúncia adaptada. Em muitos veículos, especialmente em transmissões de esporte, consagrou-se o uso com a tonicidade na primeira sílaba: “REcorde”, indo no embalo da pronúncia inglesa.
+ 5 palavras da Língua Portuguesa que têm origem indígena
Já a tradição normativa defende a tonicidade na segunda sílaba, “reCORde”, tratando “REcorde” como um estrangeirismo.
O ponto é que, hoje, gramáticas, dicionários e teóricos reconhecem ambas as pronúncias como variantes aceitas, que convivem no português contemporâneo. A crítica mais dura à Globo — de que haveria apenas uma forma “correta” — contrasta com essa visão mais ampla, que aceita a coexistência das duas realizações, especialmente em registros diferentes de fala.
Qual usar, então?
Agora, se você não é um apresentador de TV, um jornalista famoso ou uma figura pública que seja e está se perguntando qual pronúncia deveria adotar, vamos direto ao ponto.
Em situações formais, apresentações acadêmicas, entrevistas de emprego, é recomendável seguir o que tradicionalmente se entende como norma culta: “reCORde”, com a tônica na segunda sílaba. É a forma que tende a ser vista como mais conservadora e alinhada à prescrição de parte dos gramáticos.
+ ‘Sibilar’ e outras palavras da Língua Portuguesa que o som lembra o significado
Mas esse caso “reCORde” vs “REcorde” mostra que mutios dos “erros” de pronúncia são, na verdade, fenômenos naturais de variação linguística. Aqui no GUIA DO ESTUDANTE já lembramos outros deslizes na sílaba tônica que são extremamente comuns, como em “rubrica”, “cateter” e “gratuito” e na própria “recorde” – e recebem até nome técnico, “barbarismos prosódicos”.
Isto é, em alguns casos, o que parece uma gafe absoluta acaba, com o tempo, sendo incorporado como opção válida de uso. Mas, novamente, isso é uma visão mais progressista da coisa, a tal da “língua viva”. Para as normas e situações formais, vale o “reCORde”.
Confira outras Dúvidas de Português.
Qual o plural de lápis?
Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país.





