Como surgiu a expressão “amigo da onça”?
De história popular aos quadrinhos: conheça mais sobre esta frase tipicamente brasileira
Todo mundo já teve um “amigo da onça“, aquela pessoa que se aproxima por interesse ou apresenta traços de falsidade. Mas qual é a relação com o felino de verdade nesta história? Já se perguntou de onde surgiu a expressão?
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História do interior
Nada de alguém que foi traído pelo animal! Não é possível afirmar com certeza a origem do termo popular, mas o escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) conta no livro “De onde Vêm as Palavras” que o surgimento pode ter acontecido no interior do Brasil.
Um dos personagens da anedota seria um caçador. Durante uma de suas buscas pela mata, o homem encontrou uma grande onça e, como forma de fugir da enrascada, correu o quanto pôde. No meio do caminho, se deu conta que havia perdido a arma e estava encurralado com o predador. Diante do perigo em que se encontrava, o indivíduo decidiu gritar — e gritou tanto que afugentou a onça.
Ao voltar para o acampamento, o caçador contou a um parceiro sua história com o felino, que foi escutada com certa desconfiança. Notando que não estava sendo levado a sério, o homem que fugiu do animal teria questionado o seu ouvinte: “Mas afinal, você é meu amigo ou é amigo da onça?”.
“Amigo da onça” é uma expressão idiomática da Língua Portuguesa, ou seja, uma frase específica do idioma que apresenta sentido figurado. Quando traduzida, por exemplo, perde seu significado, já que é formada por palavras literais.
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Cartuns
A pessoa responsável por popularizar a ideia de falso amigo a partir do dito popular foi Péricles Albuquerque Maranhão (1924-1961), mais conhecido apenas como Péricles. O desenhista, considerado um dos principais nomes do humorismo brasileiro, trabalhou na revista ilustrada O Cruzeiro, material impresso famoso nos anos 1950.
Em 1943, Péricles criou as tirinhas do personagem Amigo da Onça, um homem “sem pescoço e com cara de fuinha” debochado e irônico, que colocava as outras pessoas em situações vergonhosas e desconfortáveis. A publicação das histórias em quadrinhos pelo seu criador durou até 3 de fevereiro de 1962.
Após o suicídio do quadrinista, na virada de 1961 para 1962, as história do protagonista continuaram a ser lançadas pelo ilustrador Getúlio Delphim, que as assinava como “Equipe de ‘O Cruzeiro”, já que Péricles era ciumento com suas criações. Depois de dois anos, o cartunista Carlos Estevão assumiu a função e seguiu com o Amigo da Onça até 1972.
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