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Combate à pandemia de coronavírus: o que é isolamento vertical?

Método que Bolsonaro defende vai contra as recomendações da OMS, dos cientistas e das entidades de saúde

Por Juliana Morales Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 mar 2020, 17h58 • Atualizado em 26 mar 2020, 18h30
 (Guilherme Gandolfi/Unsplash/Reprodução)
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  • Na contramão das recomendações das entidades de saúde para conter a pandemia do coronavírus, Jair Bolsonaro pediu o fim da quarentena. O presidente defende a adoção do “isolamento vertical“: somente o grupo de risco, idosos e portadores de comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças ao mesmo tempo), deve permanecer confinado. Segundo o presidente, a medida ainda não foi totalmente decidida e o martelo deve ser batido em reunião com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. 

    Não é só no Brasil. Nos últimos dias, a ideia de que o impacto na economia poderia ser mais grave para o país do que o coronavírus ganhou força entre conservadores nos Estados Unidos. A administração do presidente Donald Trump, inclusive, também estuda abrir setores da economia, isolar populações vulneráveis e permitir que os jovens trabalhem.

    Como funciona o isolamento vertical, na teoria

    Em um artigo publicado no jornal The New York Times, o médico americano David Katz, diretor do Centro de Pesquisa em Prevenção Yale-Griffin e um dos formuladores do método, explicou como funciona o isolamento vertical por meio de uma analogia com um “confronto aberto bélico”. O ataque cirúrgico seria isolar o grupo de risco e concentrar nele os recursos de saúde para tratamento e prevenção. O restante da população ficaria desprotegida dos efeitos do vírus, que, em geral, provocam infecções leves.

    Segundo seu raciocínio, dessa forma, a sociedade desenvolveria a chamada “imunidade de rebanho”: cada vez mais pessoas teriam anticorpos para derrotar o vírus antes mesmo que ele se instalasse e pudesse se reproduzir e se espalhar, resultando o fim da pandemia.

    A argumentação do médico se baseia também em números obtidos na Coreia do Sul. O país conseguiu controlar o quadro da doença por meio da contenção, com a testagem massiva da população e de rastreamento de pessoas que estariam potencialmente infectadas.

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    E na prática?

    Após o pronunciamento de Bolsonaro, pedindo que o país “volte à normalidade”, diversas entidades da saúde manifestaram o descontentamento em relação à fala do presidente e alertaram os perigos que essa medida pode trazer, entre elas o colapso do sistema de saúde, resultando em hospitais lotados e com falta de suplementos médicos e respiradores.

    O Conselho Nacional de Saúde considerou que o discurso do presidente, que chamou a doença de “resfriadinho”, “coloca em risco a vida de milhares de pessoas” e que é “uma afronta grave à Saúde e à vida da população”. Segundo a entidade, “a fala prejudica todo o esforço nacional para que o Sistema Único de Saúde (SUS) não entre em colapso diante do cenário emergencial que vivemos na atualidade”. 

    Além disso, com a reabertura dos estabelecimentos comerciais e escolas, como isolar os idosos ou outros grupos de risco que moram com essas pessoas e crianças que vão circular normalmente? Será que, na prática, é possível o remanejamento gigantesco dos brasileiros para proteger os mais vulneráveis?

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    Países mantiveram medidas consideradas mais radicais, mas necessárias, e obtiveram melhores resultados. A China continental, por exemplo, conseguiu achatar a curva com uma estratégia de fechamento máximo. Hong Kong conseguiu conter o vírus com o distanciamento social, mas parou com as medidas rigorosas cedo demais e o número de casos aumentou. A Coreia do Sul só conseguiu resultados satisfatórios porque fez testes cedo e em muita gente. Isso não ocorreu no Brasil. 

    Na quarta-feira (25), o Ministério da Saúde registrou 2.433 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Ao menos, 57 pessoas morreram no Brasil por causa da doença.

     

     

     

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